O mercado de saúde suplementar no Brasil vive momentos de expectativa intensa com o avanço das negociações entre os fundos americanos Advent e Bain Capital para a compra da Amil. Avaliada entre R$ 14 bilhões e R$ 17 bilhões, a operadora tem atraído olhares atentos de investidores e especialistas graças à expressiva recuperação financeira sob comando de José Seripieri Filho (Júnior), que pode seguir como acionista minoritário da empresa.

Disputa bilionária por um ativo estratégico

Advent e Bain Capital avançam para a fase final de due diligence após mais de um ano de conversas. Caso o negócio se concretize, esse será um dos maiores movimentos do segmento privado de saúde brasileiro. As ofertas partem do patamar de R$ 14 bilhões, podendo atingir R$ 17 bilhões. O atual controlador, José Seripieri Filho, não confirma detalhes, mas afirmou estar focado em ampliar ainda mais o lucro da Amil.

A importância do ativo ficou ainda mais clara após a saída da UnitedHealth Group (UHG) do comando da Amil, em uma transação estimada em R$ 11 bilhões incluindo aproximadamente R$ 9 bilhões em passivos assumidos por Júnior. Desde então, a operadora passou por um robusto processo de turnaround, revertendo anos de resultados negativos.

Recuperação da Amil e ambiente de negócios

Os esforços de reestruturação mostram resultado: a Amil fechou 2024 com lucro de R$ 620 milhões e, em 2025, atingiu R$ 1,9 bilhão em resultado recorrente. O número total de clientes saltou para 6,1 milhões e a operação se tornou mais eficiente, com queda de 4,4 pontos percentuais na sinistralidade e aumento de quase 10% nas receitas com planos.

A estrutura da Amil conta atualmente com uma ampla base de 5,4 milhões de beneficiários (em 2024), 31 hospitais e 28 clínicas médicas, correspondendo a cerca de 6% do mercado nacional de planos médicos e odontológicos.

Apetite dos fundos e antecedentes de investimento

A Bain Capital, já conhecida no Brasil pelo sucesso de sua aposta na NotreDame Intermédica, busca repetir a fórmula ao lado da Advent. Seu histórico inclui a aquisição da NotreDame por R$ 1,6 bilhão em 2014 e participação em um dos maiores IPOs do setor, culminando em fusão com a Hapvida.

Agora, com um mercado cada vez mais competitivo, a entrada de Advent e Bain Capital na Amil pode trazer novo impulso à profissionalização e crescimento da operadora. Segundo fontes do mercado, Júnior pode manter até 15% de participação minoritária após eventual venda, valorizando o ativo após promover a virada financeira e operacional da empresa.

Próximos capítulos do negócio

Com due diligence em fase avançada, a expectativa é que a decisão sobre a aquisição aconteça nos próximos meses. O desfecho terá impacto significativo no mercado brasileiro de saúde, podendo estimular novas movimentações corporativas e fortalecer a imagem do Brasil como destino estratégico para fundos globais de private equity.

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