Mesmo reconhecendo os desafios do chamado "Custo Brasil", Ana Botín, presidente executiva do Banco Santander, mantém uma visão positiva sobre o potencial econômico do país. Durante a 27ª Conferência Anual Santander, a executiva afirmou que o Brasil apresenta avanços institucionais significativos e possui vantagens estruturais relevantes para investidores e empresas.

Custo Brasil ainda é obstáculo central

Para Ana Botín, o ambiente para fazer negócios no Brasil continua desafiador, especialmente devido à burocracia e a um ambiente regulatório complexo. Estes fatores, conhecidos como Custo Brasil, dificultam a expansão de investimentos e afetam a tomada de decisão de empresas estrangeiras e nacionais. Segundo a executiva, o enfrentamento desses desafios é essencial para o país conseguir aumentar sua eficiência, produtividade e estimular novos negócios.

"Uma questão que tem sido e continua sendo um problema no Brasil é o custo de fazer negócios", enfatizou Botín, destacando que é necessário aprimorar o ambiente regulatório e buscar maior integração às cadeias globais de valor.

Prestígio institucional e sustentabilidade energética

Apesar das dificuldades, Ana Botín faz questão de ressaltar pontos fortes do Brasil no cenário atual. Ela elogiou a atuação e a credibilidade do Banco Central do Brasil (BCB), que considera um dos pilares de confiança para investidores internacionais. A instituição monetária é vista como um ativo fundamental para proporcionar estabilidade e oferecer ambiente propício ao crescimento econômico.

Outro destaque mencionado por Botín é o setor elétrico nacional, especialmente pelo alto índice de energia gerada por fontes renováveis. Cerca de 90% das unidades geradoras no Brasil utilizam energias limpas, posicionando o país como referência na transição para uma economia global de baixo carbono. Com a crescente demanda por energia, impulsionada pela inteligência artificial e digitalização, essa matriz representa uma grande vantagem.

Integração global como caminho para o crescimento

Na visão da executiva do Santander, o Brasil precisa transformar suas vantagens estruturais em protagonismo internacional. Ela vê a possível conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia como uma oportunidade estratégica para integrar o país às cadeias globais de valor, atraindo mais investimentos e fortalecendo o setor exportador.

"O Brasil tem os ativos. Agora é importante integrá-los às cadeias globais de valor. Isso exige investimentos, capital, capacidade de produção e inovação", afirmou Botín.

Santander reforça compromisso com o país

A relevância do Brasil para o Santander foi reafirmada por Ana Botín ao citar que o país é central para a operação global do grupo espanhol. Mesmo diante do anúncio de oferta pública para aquisição de ações da subsidiária brasileira, a executiva garantiu que o foco é continuar expandindo e diversificando a atuação, inclusive com ampliação dos serviços de investment banking.

Próximos passos para o Brasil

A expectativa de Ana Botín é de que, superadas as barreiras do Custo Brasil, o país consiga alavancar seu crescimento e assumir papel ainda mais relevante no contexto econômico global nos próximos anos. Para isso, recomenda-se a continuidade do esforço de reforma regulatória e o reforço das vantagens competitivas naturais do Brasil.

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