O Banco Popular da China surpreendeu o mercado financeiro ao expandir suas reservas de ouro pelo 21º mês consecutivo em julho de 2026, promovendo a maior aquisição mensal do metal desde novembro de 2023. Foram adicionadas 19,9 toneladas de ouro às reservas chinesas, totalizando agora 76,1 milhões de onças do metal precioso, de acordo com dados oficiais divulgados pela Administração Estatal de Câmbio (Safe) na última sexta-feira, 7 de agosto.
Contexto internacional e implicações globais
A movimentação do banco central chinês reflete uma tendência amplificada entre autoridades monetárias globais de fortalecer reservas estratégicas diante da instabilidade dos mercados, da desvalorização do dólar norte-americano e de incertezas geopolíticas, especialmente no Oriente Médio. Desde novembro de 2024, o país já acumulou 3,3 milhões de onças de ouro, consolidando o maior ciclo de compras contínuas de sua história recente.
Além da China, outros bancos centrais destacam-se na busca pelo ouro como proteção. O banco central da Polônia, por exemplo, adquiriu 82 toneladas em 2026, aproveitando quedas recentes nos preços. Na Coreia do Sul, compras internas devem ser retomadas em 2027 após mais de uma década, com incentivos fiscais previstos, embora não haja registro oficial das operações até 5 de agosto.
Movimentos financeiros e impacto no Brasil
O acúmulo de ouro ocorre no momento em que o valor das reservas da China em dólares está quase 20% abaixo do pico de fevereiro de 2026, reflexo de fortes oscilações no preço do metal. Paralelamente, as reservas cambiais chinesas subiram US$ 2,5 bilhões (0,07%), alcançando US$ 3,4 trilhões ao final de julho, impulsionadas por conversão cambial e mudanças no valor dos ativos.
Essa diversificação das reservas pelos bancos centrais pode influenciar estratégias brasileiras, tanto para o Banco Central do Brasil quanto para investidores atentos à proteção de portfólios. O fortalecimento das reservas em ouro é visto como resposta a períodos de incerteza global, o que pode ser observado também em outros grandes mercados emergentes.
Perspectivas do mercado e próximos passos
Segundo analistas, bancos centrais focam no ouro como ativo estratégico de longo prazo, raramente reagindo a variações de preço de curto prazo. Mesmo assim, a atividade chinesa indica cautela diante da valorização do dólar e da alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, que subiram 25 pontos-base no mesmo período.
Especialistas alertam para os possíveis efeitos indiretos dessas movimentações, ressaltando que parte das aparentes vendas pode envolver operações de swap para obtenção de liquidez cambial, com devolução posterior do ouro.
O mercado internacional segue atento à política de reservas da China, que pode sinalizar novas ondas de volatilidade para commodities e moedas, inclusive para países como o Brasil, relevantes no comércio com a potência asiática.
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