O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 3,908 bilhões no segundo trimestre de 2026, representando aumento de 13,9% em relação ao trimestre anterior e 3,3% sobre o mesmo período de 2025. O desempenho é um sinal de recuperação após um primeiro trimestre mais tímido, mas veio acompanhado também de crescimento nos índices de inadimplência e de custos relacionados ao crédito.
Lucro cresce, mas cenário traz desafios
No 2º trimestre, o resultado recorrente – que exclui efeitos não usuais e melhor reflete a operação do banco – impulsionou os números, enquanto o lucro contábil registrado ficou em R$ 3,17 bilhões, avanço de 2,7% em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) fechou em 8,3%, crescendo 107 pontos-base no trimestre, mas ainda 10 pontos-base inferior ao de um ano antes.
Apesar da alta no lucro, a despesa com custo do crédito chegou a R$ 18,48 bilhões entre abril e junho, pequena queda de 2,1% frente ao trimestre anterior, mas alta de 16,1% na comparação anual. Já ao longo do semestre, o custo do crédito acumulou R$ 37,3 bilhões, aumento significativo de 43,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Inadimplência e índices de cobertura preocupam
O índice de inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,61% da carteira do banco em junho, representando uma alta de 56 pontos-base comparado a março e 165 pontos-base em 12 meses. O índice de cobertura terminou o período em 148,5%, o que representa queda de 3.471 pontos-base em relação a junho de 2025. Segundo relatório, 91,2% da carteira de crédito estava classificada em estágios mais seguros (1 e 2) ao final do período.
Carteira de crédito e segmentos
A carteira de crédito expandida do Banco do Brasil atingiu R$ 1,31 trilhão em junho, alta de 0,6% no trimestre e de 1,5% em 12 meses. O destaque coube ao agronegócio, com R$ 421,6 bilhões, e ao crédito sustentável, com R$ 431,5 bilhões. Enquanto a carteira de pessoas físicas somou R$ 357,6 bilhões, com leve queda no trimestre, os empréstimos para pessoas jurídicas chegaram a R$ 456,2 bilhões.
Nas receitas de prestação de serviços, houve crescimento de 3,4% frente ao trimestre anterior e de 4,2% em um ano, totalizando R$ 9,12 bilhões. Categoria de administração de fundos, conta corrente e operações de crédito e garantias tiveram destaques positivos.
Perspectivas para os próximos trimestres
O Banco do Brasil ressaltou em comunicado o foco em disciplina de custos e investimentos em tecnologia e cibersegurança, com o compromisso de geração de valor sustentável. Apesar do lucro recuperado, o resultado do primeiro semestre de 2026 ficou 34,2% abaixo do mesmo período do ano anterior, devido principalmente ao aumento dos custos de crédito. Os índices de capital também se mantêm sólidos, com o índice de capital principal em 11,27% e o Índice de Basileia em 13,91% em junho.
O cenário para o restante do ano deve seguir desafiador, com atenção às taxas de inadimplência e à evolução da carteira de crédito em diferentes segmentos. Investidores do setor e analistas seguem atentos à próxima divulgação de resultados, prevista para o terceiro trimestre.
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