O Banco do Brasil (BB) apresentou um desempenho acima do esperado no segundo trimestre de 2026, registrando lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões. O resultado representa um crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e um avanço de 13,9% sobre o primeiro trimestre do ano.

Tesouraria e crédito a pessoas físicas impulsionam resultados

O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo setor de tesouraria e pelas operações de crédito a pessoas físicas. Segundo o balanço, a margem financeira bruta do banco atingiu R$ 27,5 bilhões no trimestre, uma expansão de 12,1% na base anual, destacando o ganho com operações de consignado privado.

A tesouraria do BB registrou resultado de R$ 9 bilhões, um aumento de 10% em comparação ao ano anterior. Esse patamar foi alcançado graças a melhores receitas de negociações de carteiras, juros e operações de marcação a mercado de títulos, além de depósitos interfinanceiros.

Já a carteira de crédito total ultrapassou a marca de R$ 1,3 trilhão em junho de 2026, com avanço de 0,6% no trimestre e 1,5% em 12 meses. Entre as linhas, o destaque foi para o crédito para pessoas físicas, que chegou a R$ 357,6 bilhões, crescimento anual de 4,4%. Dentro deste segmento, o consignado CLT teve saldo de R$ 15,7 bilhões.

Impactos da inadimplência no agronegócio e empresas

Apesar do avanço dos ganhos, o BB ainda lida com desafios no agronegócio, setor que passou por grande número de recuperações judiciais após perdas significativas de safra entre 2024 e o início de 2026, agravadas pelo El Niño. No período, a inadimplência do setor ficou em 6,27%, acima dos 3,11 pontos percentuais no ano. Segundo Octaciano Neto, da consultoria Zera, embora a inadimplência permaneça elevada, há sinais de desaceleração nos atrasos de novos contratos, indicando que o cenário tende a uma estabilização.

No segmento de pessoa física, o índice de atrasos chegou a 8,41%, influenciado principalmente pelo cartão de crédito. Já para empresas, o saldo de empréstimos recuou 2,5% em 12 meses, mas a inadimplência melhorou, caindo para 3,18% ao ano, apesar de leve alta trimestral.

Provisões para perdas e distribuição de JCP

O índice de atrasos acima de 90 dias no banco como um todo subiu para 5,61% em junho de 2026. Com isso, a provisão para perdas esperadas cresceu 8,4% em um ano, totalizando R$ 18,831 bilhões.

Além dos resultados financeiros, o Banco do Brasil anunciou o pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP) no valor de R$ 0,10245643978 por ação, beneficiando acionistas com posição em 1º de setembro, com pagamento agendado para 11 de setembro. Ao todo, serão distribuídos R$ 584,9 milhões.

Perspectivas para os próximos trimestres

Especialistas avaliam que o BB começa a superar o momento mais crítico com o agronegócio, mas ressaltam que uma recuperação sólida ainda demanda tempo, já que o impacto das safras problemáticas segue afetando o estoque de crédito. A melhora progressiva nos indicadores de carteira e inadimplência sugere um cenário mais favorável à frente, mas com ritmo de recuperação gradual.

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