Os principais bancos privados do Brasil, como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, passaram a adotar critérios mais rigorosos para liberação de crédito ao longo de 2026. A medida ocorre após o avanço da inadimplência e endividamento das famílias atingir patamares históricos, influenciando diretamente o nível de risco das operações nas instituições financeiras.

Restrições de crédito e contextos do mercado

O cenário de inadimplência crescente levou os bancos líderes do setor privado a repensarem a política de crédito. Segundo informações do setor, as carteiras de crédito estão sendo ajustadas para privilegiar operações de menor risco, como financiamentos respaldados por garantias (exemplo: crédito consignado, imobiliário, veículos e operações com FGI/FGO para PMEs). Em contrapartida, empréstimos pessoais sem garantia ficaram mais difíceis para o consumidor de menor renda ou com histórico de inadimplência.

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou que o ciclo do crédito será "desafiador", destacando a preferência do banco por estabilidade em detrimento de crescimento exponencial. De maneira similar, o comando do Bradesco informou redução das concessões de crédito pessoal, focando em modalidades com menor risco de calote.

Inadimplência, endividamento e provisões recordes

De acordo com os dados mais recentes, Itaú, Bradesco e Santander reservaram juntos R$ 28,7 bilhões em provisões para perdas esperadas com inadimplência no 2º trimestre de 2026. Este valor representa um aumento de 12,4% frente ao mesmo período de 2025, enquanto a carteira total de crédito subiu 9,4%, alcançando R$ 3,37 trilhões.

O índice de operações bancárias com atraso superior a 90 dias chegou a 4,74% em maio, o maior desde o início da série histórica do Banco Central do Brasil (BCB) em 2011. Mesmo com recuo para 4,68% em junho, após iniciativas como o Desenrola 2.0, o percentual segue acima da média histórica (3,29%).

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da CNC apontou endividamento das famílias em 82% em julho, atingindo o sexto recorde consecutivo. O comprometimento mensal da renda com dívidas bancárias subiu para 49,93%, também em patamar inédito.

Impacto no consumidor e perspectivas para 2026

Na prática, o acesso ao crédito se torna mais restrito especialmente a consumidores de renda mais baixa ou situação financeira instável. Para essas faixas, bancos priorizam apenas operações com garantias reais ou fundos específicos. Pequenas e médias empresas também dependem de linhas lastreadas por FGI e FGO.

Adicionalmente, o próprio Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reconheceu desaceleração da economia brasileira ao longo de 2026, o que influencia diretamente as decisões das instituições. O mercado aguardava corte na Selic para 14%, sinalizando adaptabilidade, mas incertezas globais e conflitos no Oriente Médio seguem elevando a volatilidade.

O que esperar dos próximos meses?

Analistas indicam que o crédito tende a permanecer restrito até que indicadores de inadimplência e endividamento retornem a níveis mais estáveis. Mudanças relevantes só são esperadas se houver melhora consistente no mercado de trabalho ou forte redução dos juros básicos. O acompanhamento das decisões do Copom seguirá central para investidores e famílias nos próximos meses.

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