O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, tomou a decisão de destituir o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, nesta sexta-feira, após o Congresso censurá-lo por não comparecimento a uma sessão importante. Essa movimentação ocorre em meio a uma grave crise econômica, a mais severa enfrentada pelo país nas últimas quatro décadas, caracterizada pela escassez de divisas.

A censura aconteceu quando Espinoza deveria se apresentar na terça-feira em La Paz para responder a questões sobre a emissão de títulos soberanos e os atrasos na elaboração do Orçamento Geral do Estado. No entanto, ele alegou que não poderia comparecer devido a compromissos de viagem a Santa Cruz de la Sierra e posteriormente ao Brasil. Essa justificativa não foi suficiente para evitar a pressão do Congresso, que, com 91 votos favoráveis, decidiu pela censura, obrigando o presidente a agir.

O decreto publicado no diário oficial afirmou: “Fica sem efeito a nomeação do ministro da Economia e Finanças Públicas, José Gabriel Espinoza”. Em seu lugar, o presidente nomeou interinamente o atual ministro da Produção Sustentável, Meio Ambiente e Água. Inicialmente, o governo de Paz havia indicado que não pretendia destituir Espinoza e que ele continuava no exercício de suas funções. Contudo, a pressão política se intensificou, culminando na decisão do Congresso.

Além das questões internas, a Bolívia tem buscado apoio financeiro externo. Durante a gestão de Espinoza, o governo conseguiu estabelecer programas de financiamento com instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a CAF e o Fundo Monetário Internacional, totalizando cerca de US$ 9,5 bilhões. Essa mudança na política econômica reflete um movimento do governo de centro-direita em busca de ajuda internacional, especialmente após 20 anos de governos da esquerda.

A situação econômica da Bolívia continua a ser uma preocupação significativa, com a população enfrentando dificuldades em um contexto de alta inflação e desvalorização da moeda. O ex-ministro, que assumiu o cargo em novembro de 2025 junto com a nova administração de Paz, viu seu mandato encurtado em um momento crítico para o país. O governo de Paz, ao se distanciar de políticas anteriores, tenta agora navegar por um cenário econômico desafiador, enquanto a pressão política interna continua a crescer.

Com a destituição de Espinoza, novas perguntas surgem sobre o futuro da política econômica da Bolívia e a capacidade do governo em estabilizar a economia diante de tais adversidades. As próximas semanas serão cruciais para observar como o novo ministro interino irá conduzir as finanças públicas em um ambiente tão turbulento.