O fortalecimento dos laços entre Brasil e Angola no setor do agronegócio ganhou destaque durante o Fórum do Agronegócio Angola-Brasil 2026, realizado em Luanda. No evento, foi anunciada a disponibilidade de uma área de 800 mil hectares em Angola para que empresas brasileiras possam investir, transformando o potencial agrícola local em produção efetiva, geração de empregos e aumento das exportações.

Cooperação estratégica para produção e tecnologia

A parceria, oficializada durante o fórum organizado pelo LIDE Angola, representa uma nova fase nas relações bilaterais. Agora, o foco vai além da tradicional cooperação em pesquisa e formação de recursos humanos, migrando para investimentos diretos, aplicação de tecnologia agrícola avançada, financiamento e estruturação de cadeias de valor.

Entre os destaques do evento, o ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, detalhou que o país possui cerca de 36 milhões de hectares de terras aráveis, mas apenas 6 milhões são trabalhados, a maioria por pequenas famílias rurais. O fomento à agricultura é visto como caminho para diversificação econômica frente à dependência do petróleo, além de ser oportunidade para o Brasil replicar sua experiência de transformação agrícola.

Projetos de peso e oportunidades para o Brasil

Durante o encontro, foi apresentado o Projeto Terralunda, que prevê o desenvolvimento de 20 mil hectares na província da Lunda Norte, com investimento estimado em US$ 83,2 milhões entre 2027 e 2030. O objetivo é atrair empresas dispostas a industrializar e exportar a partir de Angola, com infraestrutura planejada e estímulo à sinergia entre grandes grupos e agricultura familiar.

A ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu, destacou no fórum que o Brasil superou a dependência alimentar nos anos 1970 com políticas coordenadas de pesquisa agropecuária, crédito, assistência técnica e integração de produtores. Hoje, a Embrapa é referência mundial, e parte dessa expertise poderá beneficiar Angola para culturas como soja, milho, arroz, algodão, mandioca e pecuária.

Desafios: crédito rural e fortalecimento do produtor local

O acesso ao crédito e financiamento de longo prazo para o produtor rural foi apontado como um dos principais gargalos a serem vencidos em Angola. Segundo especialistas, a criação de mecanismos específicos para o setor agrícola, adaptados ao ciclo produtivo, é essencial para dar segurança a empresas e investidores.

Outro fator crucial é o fortalecimento do mercado interno, já que Angola importa atualmente cerca de US$ 1,4 bilhão em alimentos todo ano — valor que, com produção nacional, pode ser revertido em desenvolvimento local.

Expectativas e próximos passos da parceria

Os consensos do evento indicam que Brasil e Angola dispõem de vantagens complementares: o Brasil oferece know-how, tecnologia e experiência em agronegócio tropical, enquanto Angola dispõe de terras, água, localização estratégica e população jovem. O foco, agora, é converter essas potencialidades em projetos produtivos, geração de empregos e futura exportação de alimentos.

O fórum também formalizou um memorando de entendimento entre o LIDE Angola e a Câmara de Comércio Angola-Brasil para aproximar empresas e ampliar negócios dos dois países. A expectativa é que até 2030 surjam resultados concretos em produção, industrialização e exportações agrícolas angolanas com forte participação brasileira.

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