O aumento na demanda global por terras raras está colocando o Brasil no centro de uma intensa disputa internacional, especialmente entre Estados Unidos, Austrália e China. Com grandes reservas desses minerais estratégicos, essenciais para a produção de tecnologia, carros elétricos e equipamentos de energia renovável, o país atrai um fluxo recorde de investimentos estrangeiros e acirra a competição pelo controle das cadeias produtivas globais.
Brasil se destaca com reservas estratégicas
O Brasil é atualmente o segundo país com maiores reservas de terras raras no mundo, estimadas em 21 milhões de toneladas métricas, atrás apenas da China, cuja reserva é de aproximadamente 44 milhões de toneladas métricas, segundo o Serviço Geológico dos EUA. Esse potencial mineral brasileiro está na mira de multinacionais e governos em busca de diversificar fornecedores frente ao domínio chinês nesse mercado.
Nos últimos três anos, mais de 86% dos pedidos de exploração de terras raras no Brasil foram protocolados, refletindo o avanço do interesse internacional. Do total de 2.727 solicitações analisadas até junho de 2026, cerca de 42% partiram de empresas estrangeiras ou com participação internacional. Empresas australianas lideram, com destaque para a Borborema Recursos Minerais e a Brazilian Rare Earths Pty Ltd, seguidas por grupos dos EUA, como Rare Earth Americas e Alpha Minerals Brazil.
EUA e Austrália apostam na mineração brasileira
A recente decisão da China de restringir exportações de terras raras impulsionou investidores norte-americanos, culminando na compra da mineradora Serra Verde – a única produtora em escala comercial no país – pela USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões. O negócio, concluído em junho, foi impulsionado por apoio financeiro do governo dos EUA e visa transformar o Brasil em alternativa estratégica para suprimento global de minerais críticos.
Além dos EUA, a Austrália e o Canadá ampliam investimentos reduzindo riscos típicos do setor, caracterizado por alto grau de incerteza: apenas dois em cada mil possíveis alvos de exploração se tornam minas viáveis, segundo especialistas do Instituto Brasileiro de Mineração. Apesar dos desafios, multinacionais aceleram operações e licenças ambientais, inclusive com propostas de simplificação regulatória debatidas no Ministério de Minas e Energia.
Desafios ambientais e pressão internacional
O avanço da mineração de terras raras traz preocupações socioambientais, sobretudo em regiões próximas à Floresta Amazônica e terras indígenas. O risco de contaminação por resíduos tóxicos e radioativos, desmatamento, poluição hídrica e conflitos com comunidades locais ganham destaque no debate público e mobilizam oposição de lideranças indígenas.
Projetos estratégicos destinados à transição energética, como a separação e fornecimento de elementos magnéticos para setores automotivo, de defesa, energia e eletrônica, pressionam o governo brasileiro a equilibrar desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.
Diplomacia mineral e próximos passos
A política brasileira busca neutralidade entre americanos e chineses, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, evitando alianças preferenciais e reforçando a soberania nacional sobre recursos críticos. A próxima etapa é acompanhar se o processo de licenciamento ambiental será agilizado, como defendem representantes do setor privado e parte do Congresso, para viabilizar o crescimento sustentável desse mercado.
A participação crescente de multinacionais e debates sobre regulamentação sugerem que o Brasil seguirá como palco de decisões estratégicas globais sobre terras raras. Para mais informações atualizadas sobre o setor mineral e seu impacto na economia brasileira, acesse brazileconomy.world.
