A Braskem, uma das principais petroquímicas do Brasil, está em negociações avançadas para solicitar a recuperação extrajudicial, um passo que poderá ser formalizado ainda neste mês. A companhia enfrenta o desafio de reestruturar mais de US$ 10 bilhões em dívidas acumuladas em suas operações no Brasil, Estados Unidos e Europa. Segundo informações obtidas pela Reuters, a empresa precisa tomar uma decisão rápida, uma vez que até 24 de agosto expira uma proteção obtida por medida cautelar em junho.

A Braskem, que recentemente mudou de controle após a venda pelo grupo Novonor (ex-Odebrecht) para a gestora de private equity IG4 Capital e a Petrobras, está lidando com um período prolongado de dificuldades no setor petroquímico. Fontes próximas às negociações indicam que a empresa pode levar de três a cinco anos para superar os desafios herdados, que incluem não apenas a má performance do mercado, mas também um desastre ambiental relacionado às suas minas de sal em Alagoas.

Apesar de a Braskem estar discutindo alternativas com seus credores, que incluem detentores de bônus e instituições financeiras, até o momento não houve um acordo definitivo. Propostas anteriores da empresa, como um pagamento do principal com um período de carência de cinco anos, foram rejeitadas pelos credores. Essa situação crítica força a Braskem a explorar a recuperação extrajudicial como um meio de evitar um processo de reestruturação mais longo e complicado.

Se a recuperação extrajudicial for implementada, o plano incluirá um período de 90 dias de suspensão de cobranças. Este intervalo permitirá que a Braskem e seus credores negociem um acordo abrangente, protegendo a empresa de ações imediatas de cobrança, enquanto buscam um caminho viável para a reestruturação.

Além disso, a Braskem está considerando opções para a reestruturação da dívida de aproximadamente US$ 2 bilhões de sua subsidiária mexicana, o que pode incluir um pedido de Chapter 11 (recuperação judicial nos EUA), com um cronograma alinhado ao processo brasileiro.

A companhia não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas a urgência da situação é evidente. O futuro da Braskem dependerá das decisões que forem tomadas nas próximas semanas e da capacidade em conseguir um consenso com seus credores. A situação é um reflexo dos desafios enfrentados por empresas do setor petroquímico em um cenário global de preços depressivos e insegurança financeira.

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