O número de carros elétricos emplacados no Brasil segue batendo recordes ao longo de 2026, com marcas chinesas liderando a oferta de modelos acessíveis no país. Modelos de BYD, Geely, GAC, GWM e LeapMotor aportaram nas concessionárias brasileiras por valores que variam entre R$ 120 mil e R$ 150 mil, atraindo cada vez mais consumidores em busca de tecnologia e economia. Segundo a Fenabrave, até julho foram emplacados 116.235 automóveis elétricos, praticamente três vezes mais que os 37.509 registrados no mesmo período de 2025. Esse avanço reflete uma participação de 9% dos carros elétricos no total de vendas de veículos novos, superando os 6,5% verificados em 2024.

Básicos da competitividade dos elétricos chineses

O grande diferencial dos carros elétricos chineses está no custo de produção. De acordo com relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), fabricar um carro convencional na China pode ser 30% mais barato do que na Alemanha. Para os elétricos, a vantagem é ainda maior, impulsionada por fabricação em larga escala, mão de obra mais barata e generosos subsídios do governo chinês às montadoras locais. Fábricas chinesas de veículos elétricos chegam a produzir mais de 1 milhão de unidades por ano, diluindo custos fixos e tornando os preços finais mais acessíveis ao consumidor, inclusive brasileiro.

Domínio em componentes e políticas públicas

Além dos incentivos, a indústria automotiva na China se beneficia de uma cadeia produtiva verticalizada, especialmente no segmento de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP). Empresas chinesas lideram a produção global de componentes, células e pacotes de baterias, garantindo economias de escala que ainda não foram igualadas por concorrentes europeus ou americanos. Segundo a IEA, a adoção de baterias LFP — mais baratas e menos dependentes de metais como o níquel — fortalece ainda mais essa vantagem competitiva.

Outro fator relevante é a diferença salarial: os custos de mão de obra na China são entre três e cinco vezes menores do que em países desenvolvidos. Já o preço da energia, apontado como vilão em outros mercados, representa apenas 1% a 4% do custo total de produção automotiva.

Efeito no Brasil e desafio da produção local

O estudo da IEA revela que, em 2025, o prêmio médio sobre o preço de carros elétricos a bateria no Brasil caiu para cerca de 15% (metade do valor do ano anterior), em grande parte graças à importação de modelos chineses. Modelos híbridos plug-in, que responderam por 55% das vendas desse segmento, também ficaram mais em conta, com uma redução superior a 15 pontos percentuais nos prêmios de preço.

No entanto, o futuro dessa acessibilidade está em xeque. O governo brasileiro vem restabelecendo gradualmente as tarifas de importação para veículos completamente montados (CBU) e kits desmontados (CKD), o que pressiona o setor. A permanência dos preços baixos dependerá se fábricas locais de montadoras como BYD e Great Wall Motor conseguirão replicar, em solo nacional, a mesma eficiência de custos dos carros importados.

Perspectivas globais e brasileiras

A expectativa internacional é otimista: segundo a IEA, até 2035 a frota global de carros elétricos pode alcançar 510 milhões de unidades, frente aos 80 milhões atuais, caso a tendência de popularização continue. Para o consumidor brasileiro, a busca por modelos mais acessíveis também se relaciona ao alto custo dos combustíveis fósseis e à preocupação com sustentabilidade.

A ascensão dos carros elétricos chineses representa uma nova fase para o setor automotivo nacional, com impactos diretos tanto nas opções de consumo quanto na estratégia das montadoras instaladas no Brasil. O acompanhamento das mudanças regulatórias e dos investimentos em produção local será fundamental para manter a competitividade e o crescimento do segmento.

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