A Casas Bahia (BHIA3) oficializou o pedido de recuperação judicial na noite de domingo (16), marcando uma nova etapa na sua estratégia para garantir a sobrevivência da empresa. Renato Fraklin, CEO da companhia, destacou que a decisão foi tomada para resguardar os ativos e dar continuidade às operações, especialmente em meio a um cenário econômico desafiador.
Plano de Transformação Fase 2 e proteção de caixa
Segundo o presidente, a principal meta agora é reorganizar os passivos e preservar as fortalezas da organização, visando renegociar dívidas sem comprometer o funcionamento das lojas. "A recuperação judicial fortalece a capacidade de manter as atividades, oferecendo proteção para negociações mais estruturadas", ressaltou Fraklin durante teleconferência nesta segunda-feira (17).
O executivo enfatizou que o ajuste é de rota, não de destino, e que a sustentabilidade da operação depende diretamente desse fôlego, principalmente na relação com grandes credores e bancos. O plano apresentado ao mercado, batizado de Plano de Transformação Fase 2, inclui a revisão de contratos, corte de custos estruturais, redimensionamento do quadro de funcionários, fechamento concentrado de lojas menos rentáveis e venda de participações em ativos não essenciais.
Impactos do cenário macroeconômico
Fraklin explicou que a deterioração do cenário macroeconômico, marcada por inflação elevada, alta dos juros e aumento do endividamento das famílias, foi determinante para a empresa recorrer à recuperação judicial. O agravamento do ambiente externo, influenciado por guerras e turbulências eleitorais, também contribuiu para a dificuldade de avançar no plano de recuperação proposto anteriormente.
A dificuldade de acesso ao crédito e a disputa pelo orçamento das famílias têm prejudicado especialmente a clientela de renda mais baixa, altamente dependente de financiamento. Diante deste contexto, a companhia projeta um cenário conservador para 2027, sem esperar grandes melhoras no ambiente econômico ou no mercado de crédito.
Estratégias de fôlego e foco em rentabilidade
Além das negociações judiciais, a estratégia da Casas Bahia passa pela otimização dos canais digitais, incremento da rentabilidade no e-commerce e manutenção apenas dos projetos mais essenciais em seu capital de giro. A administração destaca que todo o fechamento de lojas já ocorreu em uma única onda e, até o momento, não há previsão de novas reduções na rede física.
Elcio Ito, CFO da Casas Bahia, reforçou que a expectativa de aumento de margem depende da melhora do cenário macroeconômico, mas a companhia seguirá buscando ganhos de eficiência e novos formatos de negócios.
Próximos passos e expectativas
O processo de recuperação judicial será acompanhado atentamente pelo mercado e pelos credores. A expectativa da Casas Bahia é que o plano aprovado possa estabilizar a operação e oferecer uma base mais sólida para atravessar futuras oscilações econômicas.
A administração não descarta novas correções de rota caso a conjuntura piore, mas aposta na proteção dos ativos estratégicos e na negociação ativa com credores para garantir a sustentabilidade da empresa.
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