A Casas Bahia (BHIA3) reportou um prejuízo líquido de R$ 10 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo balanço divulgado na madrugada de domingo (16). O anúncio ocorreu após dois adiamentos na apresentação dos resultados, refletindo o impacto de fortes efeitos contábeis não recorrentes e aumento expressivo nas despesas.

Resultados detalhados do 2º trimestre

O prejuízo apurado no trimestre superou em muito o resultado negativo de R$ 555 milhões apresentado um ano antes, já descontados os ajustes. Parte desse valor foi influenciada por R$ 9,1 bilhões em efeitos contábeis não recorrentes.

Ao excluir esses efeitos, o prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões, ainda assim equivalente a uma queda de 76,2% na comparação anual. A receita bruta da varejista apresentou alta discreta, subindo 1,6%, para R$ 8,3 bilhões. Já o lucro bruto avançou 10,9% e fechou em R$ 2,2 bilhões.

Apesar do pequeno avanço nas receitas, as despesas dispararam 7.120%, saltando de R$ 49 milhões negativos para R$ 3,5 bilhões negativos no segundo trimestre, principal responsável pelo resultado final negativo da companhia.

O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 518 milhões, recuo de 9,4% contra o mesmo período de 2025. O Ebit, por sua vez, teve perda de 1.257,6%, passando de R$ 283 milhões positivos para R$ 3,2 bilhões negativos.

O que diz a empresa

Segundo a administração da Casas Bahia, a companhia está executando a segunda fase do seu Plano de Transformação. A estratégia prevê o redimensionamento das operações, priorizando canais e categorias de maior rentabilidade.

Em comunicado, a empresa afirmou: “O plano previa uma fase de aceleração; o macro veio pior e retirou, por ora, suas condições. Voltamos à postura caixa-primeiro, redimensionando com prioridade em geração de caixa e rentabilidade”.

Contexto do setor e perspectivas

O varejo brasileiro tem sido pressionado por juros elevados, inflação e desaceleração do consumo. Ainda assim, o prejuízo extraordinário da Casas Bahia acende um alerta para todo o setor, especialmente devido aos efeitos não recorrentes que agravaram o balanço.

Especialistas do mercado apontam que, frente ao cenário macroeconômico adverso, a reformulação da estratégia da empresa buscando preservar o caixa e ajustar portfólio tende a ser o caminho obrigatório para grandes redes do varejo.

Próximos passos

A Casas Bahia segue sob monitoramento atento de investidores e analistas. O desempenho dos próximos trimestres, a efetividade do plano de transformação e a capacidade de reverter prejuízos massivos serão determinantes para o futuro da companhia na B3.

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