A Casas Bahia (BHIA3) anunciou o fechamento de 298 lojas em uma única rodada, estratégia que representa cerca de 30% da rede e visa garantir uma operação autofinanciável em meio a um cenário macroeconômico desafiador. O CEO Renato Franklin detalhou, em teleconferência realizada no dia 17, que a medida faz parte da segunda fase do plano de transformação da companhia após o pedido de recuperação judicial e a divulgação do balanço do 2º trimestre.
Reestruturação concentrada para evitar clima de incerteza
Franklin explicou que, diante do ambiente macroeconômico adverso, o grupo preferiu realizar o ajuste de uma só vez. Lojas menos rentáveis e de baixa penetração em crediário foram as primeiras a serem fechadas, permitindo redução proporcional dos custos (cerca de 30%, conforme informado) diante de unidades que respondiam por apenas 14% da receita. "Optamos por fazer em uma onda única para evitar prolongar a ansiedade por novos ajustes", explicou o executivo.
A lógica, segundo o CEO, não é mais preservar número de lojas ou tamanho, mas um formato sustentável com base na geração de caixa. "O tamanho é consequência, não é objetivo", pontuou. A estrutura enxuta permitirá ao grupo avaliar potencial retomada futura, ainda sem previsão no curto ou médio prazo.
Ajuste digital e foco em rentabilidade
O cenário desafiador atinge não só as lojas físicas. No canal digital, operações com baixa rentabilidade e alto custo estão passando por análise. Franklin destacou que, em alguns casos, marketplaces assumirão protagonismo em detrimento de operações próprias deficitárias. O grupo também aponta redução de investimentos (CAPEX) de quase 40% e revisão de contratos, políticas de estoques e custos corporativos.
Impacto do cenário econômico e perfil do consumidor
Segundo Franklin, a perspectiva para o consumo em 2027 é ainda mais delicada que em 2026. Ele reforçou que fatores como juros altos, endividamento das famílias e crescimento das apostas online reduzem o potencial de consumo de bens duráveis, especialmente entre as classes mais dependentes de crédito. O CFO Elcio Ito acrescentou que a carteira de crédito do grupo permanece resiliente, mas a concessão agora considera maior rigor e disciplina.
Resultado financeiro e próximos passos
No segundo trimestre, a receita líquida da Casas Bahia cresceu 1,6% ano a ano, enquanto o volume bruto de mercadorias (GMV) atingiu R$ 10,5 bilhões (+15,3% no online). O Ebitda ajustado somou R$ 518 milhões (margem de 4,4%), mas o grupo reportou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões devido a eventos não recorrentes e passivos elevados. O pedido de recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas — uma tentativa de preservar caixa e reorganizar as finanças, mantendo o foco em uma operação saudável e rentável.
A direção da Casas Bahia reforça que a recuperação judicial é apenas um instrumento para endereçar os passivos, sem alterar o objetivo principal da empresa. Após a fase de ajustamento, a expectativa é de garantir maior estabilidade operacional e financeira, enquanto o grupo monitora o ambiente econômico nacional e o comportamento do consumidor.
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