O grupo Casas Bahia surpreendeu o mercado ao anunciar, nesta sexta-feira (14), o fechamento de 298 lojas em todo o Brasil. A medida representa quase 30% das pouco mais de mil unidades que a varejista ainda mantinha em operação. O enxugamento faz parte de um plano amplo de redução de despesas, cuja abrangência será detalhada pela companhia nos próximos dias.
Reestruturação impacta trabalhadores em todo o país
Na manhã desta sexta-feira, funcionários relataram terem encontrado as portas de suas lojas já fechadas ao chegarem para trabalhar. Segundo apuração dos veículos Valor Econômico e Gazeta do Povo, entre 1.900 e 2.000 colaboradores já foram desligados entre quinta (13) e sexta (14). A previsão é de que o total de demissões chegue a até 3 mil funcionários nos próximos dias, aprofundando o impacto social da reestruturação.
Motivos para o ajuste drástico
A companhia, controladora das marcas Casas Bahia, Pontofrio e da plataforma Extra.com.br, enfrentou nos últimos anos um cenário de constantes prejuízos financeiros e dificuldades no fluxo de caixa. Entre os fatores de pressão, destacam-se:
- Elevado endividamento da população, que reduziu o consumo
- Persistência de vendas pressionadas
- Altas despesas financeiras
- Dificuldade de renegociar prazos com fornecedores e lojistas do marketplace
- Desbalanceamento na estrutura de capital, motivando uma recuperação extrajudicial em 2024
Mesmo após o acordo judicial e algumas melhorias financeiras, a situação segue delicada. A varejista ainda enfrenta desafios de liquidez e posterga compromissos financeiros para tentar estabilizar sua operação.
Suspensão de resultados e expectativa do mercado
O anúncio do fechamento de lojas ocorre pouco antes da divulgação prevista do balanço do segundo trimestre de 2026. O resultado financeiro da empresa, inicialmente agendado para quarta-feira (12), foi adiado para as 17h de sexta (14). O comunicado ao mercado justifica a postergação como necessária para finalizar a apuração dos dados contábeis, diante da amplitude das mudanças em curso. A teleconferência com investidores está marcada para segunda-feira (17).
O grupo administra, além do varejo tradicional de eletrodomésticos e móveis, operações como Casas Bahia Pay (serviços financeiros), a fábrica de móveis Bartira e a plataforma logística CBfull. Mesmo assim, a deterioração do ambiente macroeconômico e do mercado consumidor brasileiro exigiu cortes drásticos.
Próximos passos e perspectivas
Especialistas do setor avaliam que a redução do número de pontos de venda visa concentrar esforços nas lojas mais rentáveis e fortalecer a presença digital. O sucesso do plano dependerá da retomada do consumo, da renegociação de dívidas e de uma resposta positiva do mercado aos novos rumos adotados.
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