A Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial após revelar um prejuízo líquido recorde de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, valor 18 vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O processo, apresentado no Tribunal de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, abrange dez empresas do grupo varejista, incluindo controladas de logística, tecnologia e indústria.

Entenda a crise

Segundo comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o cenário ficou insustentável devido à combinação de juros elevados, restrição de crédito, aumento das despesas financeiras e pressão sobre a demanda do consumidor. A companhia afirma que o objetivo do pedido judicial é garantir a continuidade das operações, reorganizar o passivo e preservar valor para todos os envolvidos.

No segundo trimestre, além do prejuízo total, a empresa também reportou uma queda de 9,4% no Ebitda ajustado, que ficou em R$ 518 milhões, apesar de um leve crescimento de 1,6% na receita líquida, que somou R$ 6,97 bilhões. Mais de R$ 9 bilhões do resultado negativo foram causados por efeitos não recorrentes, como baixas contábeis, custos de reestruturação e impactos fiscais.

Impactos no grupo e no mercado

A situação já resultou no fechamento de 298 lojas até junho de 2026 e uma redução de mais de 1.600 funcionários, baixando o quadro para 30,1 mil empregados no fim do período. A companhia revisou estoques, eliminou contratos considerados inviáveis e ajustou sua estratégia, buscando priorizar canais e produtos mais rentáveis.

Entre as empresas incluídas no pedido estão, além da própria Casas Bahia, nomes como ASAP Log, Cnova Comércio Eletrônico e Indústria de Móveis Bartira. A auditoria independente EY destacou incertezas relevantes em relação à continuidade operacional da varejista.

Plano de recuperação e atendimento ao cliente

A Casas Bahia afirma manter normalmente o atendimento nas lojas restantes e informa que revisou planos operacionais, financeiros e societários para mitigar o risco de descontinuidade. O plano divulgado prevê foco em geração de caixa, redução do capital empregado e busca constante por maior rentabilidade diante do ambiente macroeconômico adverso.

Vale lembrar que este é o segundo grande movimento de reestruturação do grupo desde 2024, quando a empresa já havia solicitado uma recuperação extrajudicial para lidar com uma dívida de R$ 4,1 bilhões.

Próximos passos

O grupo seguirá sua reestruturação buscando aprovação do plano pelos credores e adaptação do modelo de negócio ao novo contexto do varejo brasileiro. Especialistas acompanham de perto os desdobramentos, avaliando o impacto para fornecedores, funcionários, clientes e para o cenário do comércio no Brasil.

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