A rede de varejo Casas Bahia enfrentou um dos momentos mais críticos de sua história ao anunciar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, sinalizando possibilidade de recorrer novamente à recuperação judicial ou extrajudicial. O anúncio foi feito na noite deste domingo (16), após a divulgação do resultado financeiro do período.
Prejuízo histórico e patrimônio negativo
O impacto negativo representa aumento expressivo frente à perda de R$ 555 milhões registrada no mesmo período de 2025. O resultado fez o patrimônio líquido consolidado da Casas Bahia ficar negativo em R$ 8,1 bilhões, indicando que, mesmo vendendo todos os ativos, a empresa ainda não conseguiria quitar suas dívidas. A varejista já havia enfrentado processo de recuperação extrajudicial em abril de 2024, do qual saiu três meses depois.
Corte de lojas, demissões e reestruturação
No esforço para enxugar a operação e reduzir custos, a Casas Bahia fechou 298 lojas e promoveu cerca de 2 mil demissões na última semana, além de revisar contratos e investimentos. Segundo a empresa, a decisão visa adequar o porte à nova realidade financeira e ao consumo reduzido das famílias brasileiras diante dos juros elevados. O volume de compras para estoque também foi diminuído, priorizando eficiência e geração de caixa.
Auditoria aponta incerteza operacional
A EY, responsável pela auditoria externa, optou por não emitir opinião sobre as demonstrações financeiras, ressaltando "incerteza relevante" quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia. O valor de mercado das ações da varejista, já considerado reduzido, fechou em R$ 660 milhões na B3.
Contexto do setor varejista e crise prolongada
A crise da Casas Bahia é mais um reflexo das dificuldades enfrentadas pelo varejo nacional. Analistas apontam que a combinação de juros altos (a Selic está em 14% ao ano), endividamento crescente das famílias e concorrência acirrada pressiona a margem de empresas do setor. Números ruins também foram registrados por concorrentes, como Magazine Luiza (prejuízo ajustado de R$ 50,4 milhões) e Renner, que revisou para baixo suas estimativas de vendas.
De acordo com Alberto Serrentino, sócio da consultoria Varese Retail, o prolongado patamar elevado da taxa básica de juros asfixiou o caixa e o modelo econômico de varejistas altamente alavancados. Entre o terceiro trimestre de 2024 e 2025, a Casas Bahia acumulou prejuízos crescentes, superando a casa do bilhão em 2026.
Perspectivas e próximos passos
A empresa reforçou que estuda todas as alternativas para equacionar seus passivos, inclusive uma eventual retomada da recuperação judicial ou extrajudicial. O foco agora está em readequar a estrutura operacional, revisar a estratégia nos canais digitais e priorizar produtos e categorias de maior rentabilidade.
A situação das grandes varejistas brasileiras seguirá no radar do mercado, especialmente diante das discussões sobre possíveis quedas na Selic e eventuais estímulos ao consumo. Fique por dentro das principais atualizações sobre o cenário econômico em brazileconomy.world.
