A confiança dos empresários do comércio de pequeno porte no município de São Paulo atingiu 93,6 pontos em julho de 2026, menor pontuação desde junho de 2021, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O resultado, divulgado neste início de agosto, revela um cenário de pessimismo crescente e acende alerta para os rumos do setor.

Queda persistente nos indicadores de confiança

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), principal termômetro do segmento, apontou retração pelo sexto mês consecutivo entre companhias com até 50 funcionários. O recuo de 8,8% na comparação anual reflete a insatisfação dos pequenos empresários diante de fatores como rentabilidade modesta, pressão de custos e juros elevados. O índice ficou abaixo da marca dos 100 pontos, considerada a zona de otimismo, desde meados de 2021, agravando a leitura negativa sobre o ambiente de negócios.

Entre as empresas de maior porte, com mais de 50 colaboradores, a confiança apresentou leve crescimento mensal, alcançando 106,4 pontos em julho — ainda assim, uma retração de 5,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. No geral, o Icec registrado foi de 93,9 pontos, pouco acima dos pequenos negócios, porém ainda em campo pessimista.

Cenário de investimento e condições atuais agravam pessimismo

Segundo a pesquisa da FecomercioSP, o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec) ficou em 69,1 pontos, quase estável frente a junho, mas 9,5% abaixo do registrado há um ano. Esse dado revela um elevado grau de insatisfação com o contexto econômico atual, impactado por questões que vão além da oscilação nas vendas.

Para as pequenas empresas, o Icaec recuou para 68,7 pontos, acumulando 42 meses consecutivos na zona de pessimismo. A entidade aponta que, além dos desafios econômicos tradicionais, fatores políticos recentes — como a redução da jornada de trabalho e o fim da "taxa das blusinhas" — ampliam a vulnerabilidade dos negócios de menor porte.

Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) caiu para 97 pontos, o menor desde 2021, indicando receio da classe em investir em um cenário marcado por incertezas. Grandes empresas, por outro lado, mesmo com recuo mensal, se mantêm mais confiantes para investir, registrando 107 pontos.

Expectativas e contratação: cautela predomina

Apesar da piora nas condições atuais e intenção de investimento, o Índice de Expectativas do Empresário do Comércio (IEEC) apresentou leve avanço entre ambos os portes: 115 pontos entre os pequenos e 127,7 pontos nas grandes companhias. Contudo, na comparação anual, observa-se queda de 10,4% e 7,9%, respectivamente.

O Índice de Expansão do Comércio (Iec) caiu 0,9% em julho, chegando a 101,2 pontos, reafirmando a tendência de cautela. O indicador de expectativa de contratação de funcionários ficou em 113,1 pontos, abaixo do ano anterior (-4,5%). O nível de investimento das empresas (NIE) amargou o sexto mês de queda, marcando 89,3 pontos e ocupando a zona pessimista por 20 meses consecutivos.

Perspectivas e próximos passos para o setor

De acordo com a FecomercioSP, o ambiente econômico instável, inflação resistente, juros elevados e queda do consumo são os principais motivos do pessimismo entre os pequenos empresários. Acompanhando a deterioração de indicadores macroeconômicos e políticos, a confiança tende a seguir fragilizada nos próximos meses.

O setor aguarda sinais concretos de retomada para reverter o atual quadro. A continuidade do monitoramento desses indicadores será fundamental para analizar perspectivas de recuperação entre micro e pequenos empresários do comércio.

Para mais informações atualizadas sobre a economia do Brasil, acesse brazileconomy.world