O consórcio formado por Votorantim Cimentos e a italiana Cementir assumiu a dianteira nas negociações para adquirir a CSN Cimentos, com uma proposta estimada em R$ 11 bilhões. A venda faz parte do plano da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para reduzir sua dívida líquida, que atingiu R$ 40,5 bilhões ao final do primeiro trimestre de 2026.
Ofertas e interesses pelo ativo
Embora o controlador da CSN, Benjamin Steinbruch, inicialmente ambicionasse vender a cimenteira por cerca de R$ 15 bilhões, o mercado apontou ofertas bem inferiores, sinalizando uma expectativa mais próxima de R$ 10 bilhões para a transação. Além do consórcio Votorantim-Cementir, outros interessados também apresentaram propostas vinculantes — como a chinesa Huaxin e a brasileira Polimix, esta última considerada menos competitiva no processo.
A Huaxin, que já adquiriu a pedreira Embu em 2024, vinha analisando oportunidades de ampliar sua presença no mercado de cimento brasileiro. Apesar disso, a complexidade tributária, o ambiente regulatório nacional e o contencioso jurídico do Brasil pesaram a favor da Votorantim, experiente no segmento e com domínio do mercado local. O banco Morgan Stanley coordena o processo de venda.
Desalavancagem e estratégia financeira da CSN
A alienação da CSN Cimentos é central para o plano de desalavancagem da CSN. Além da unidade de cimento, outros ativos de infraestrutura avaliados em cerca de R$ 1 bilhão também estão à venda. A estratégia conta com o apoio dos credores da companhia, que demandam avanços na reestruturação financeira em troca do prolongamento do perfil da dívida. Atualmente, a CSN negocia a extensão de US$ 1,3 bilhão em títulos com vencimento em 2028, buscando ampliar o prazo em dois anos para aliviar o fluxo de pagamentos futuros.
A própria CSN confirmou, por meio de fato relevante em 19 de agosto, o recebimento de propostas vinculantes pela totalidade da CSN Cimentos, sem detalhar valores ou nomes dos ofertantes. O processo faz parte do compromisso assumido com bancos internacionais após o levantamento de US$ 1,2 bilhão em março de 2026, incluindo a obrigação de avançar nos desinvestimentos para garantir maior solidez financeira.
Perfil dos principais concorrentes
A Votorantim Cimentos é uma das líderes globais no setor de materiais de construção, com forte presença no Brasil e operações em mais de 10 países. Já a Cementir, comandada pela família Caltagirone, atua em 18 nações, incluindo Europa, EUA e Ásia, e tem ações listadas na Bolsa de Milão. A eventual compra marcaria sua estreia operacional no mercado brasileiro. Por sua vez, a Huaxin, depois da aquisição da Embu, consolidou-se como um player relevante no setor de mineração de agregados no Brasil, mas enfrenta obstáculos típicos de quem está se adaptando ao ambiente brasileiro.
Próximos passos
O desfecho do negócio está sujeito à análise das propostas e à aprovação dos órgãos reguladores, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Espera-se que a CSN faça o anúncio oficial do comprador nas próximas semanas. O movimento deve repercutir em toda a cadeia do setor de construção civil nacional e contribuir para a consolidação do mercado de cimento no Brasil.
Fique por dentro das últimas notícias do Brasil em brazileconomy.world
