A campanha presidencial no Brasil começa em meio à maior preocupação fiscal das últimas décadas. O próximo presidente terá, desde o primeiro dia de mandato, o desafio central de recolocar as contas públicas nos trilhos, de forma a garantir o crescimento sustentável e preservar a estabilidade democrática. O descontrole orçamentário empurrou a dívida pública para níveis críticos, com aumento de mais de dez pontos percentuais do PIB em apenas quatro anos, mesmo fora de períodos de pandemia.

A escalada do desequilíbrio fiscal

Nos últimos anos, o Brasil optou por uma política de ampliação de gastos públicos, intensificada em períodos eleitorais. Isso ficou claro pela recorrente flexibilização de regras fiscais, incluindo a derrubada do teto de gastos – medida de controle criada durante o governo de Michel Temer e desmontada posteriormente. O estímulo ao consumo, ainda que tenha gerado crescimento de 2,7% ao ano entre 2023 e 2026, mostrou-se insustentável, especialmente quando resultou no pior desempenho econômico no ano eleitoral, evidenciando a fragilidade de um crescimento baseado prioritariamente no aumento de despesas federais.

Riscos à democracia e à economia

O debate atual transcende o simples controle do orçamento e atinge questões estruturais, como a independência do Banco Central do Brasil (BCB), frequentemente contestada pela classe política. O receio é que intervenções políticas possam minar conquistas nacionais fundamentais, como o controle da inflação e a estabilidade monetária, conquistadas há mais de três décadas. Juros altos são reflexo direto do descompasso fiscal: com títulos federais de longo prazo passando de 8% ao ano, a capacidade de investimento do setor privado e das famílias é prejudicada, inibindo novos negócios e compromissos de longo prazo.

Alternativas reais para equilíbrio orçamentário

Para resgatar a confiança de investidores e do mercado, é indispensável um programa crível de correção das despesas federais. Analistas sugerem a necessidade de superávits primários acima de 2% do PIB (cerca de R$ 260 bilhões anuais), revisão ampla de todos os gastos e subsídios, além de transparência total nas contas públicas. Esse reequilíbrio exige a revisão de emendas parlamentares, isenções fiscais, gastos com estatais deficitárias e mudanças na concessão de benefícios sociais e aposentadorias.

O desafio político e econômico está posto

A experiência histórica demonstra que atalhos, como relaxamento da política monetária ou controle de preços, acabam por aprofundar o problema. O respeito à institucionalidade, equilíbrio orçamentário e manutenção da autonomia do Banco Central são princípios basilares para que o país não retroceda a contextos inflacionários dos anos 1980. O vencedor das eleições em 2026 deverá anunciar, já no início do mandato, medidas de ajuste rigoroso, evitando subterfúgios contábeis e escolhas que penalizem futuras gerações.

O que está em jogo para o futuro do Brasil

Sem a adoção de uma rota clara para o ajuste fiscal, o Brasil corre risco de mergulhar em inflação alta, juros ainda mais elevados e possível recessão. A estabilidade do poder de compra e do câmbio depende das decisões tomadas nos próximos anos. Resta ao eleitor observar atentamente os programas apresentados pelos candidatos e cobrar compromisso verdadeiro com a sustentabilidade das contas públicas e das conquistas democráticas.

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