A Cosan informou ao mercado ter recebido uma proposta formal para vender sua participação integral no Terminal de Uso Privado Porto São Luís. O valor da oferta é de R$ 300 milhões, com possibilidade de pagamento adicional vinculado à futura expansão do terminal.
Detalhes da proposta e cláusulas de earn-out
A proposta inclui um mecanismo chamado "earn-out", pelo qual a Cosan poderá receber cerca de R$ 50 milhões por cada novo berço de atracação implantado até 2035, em complemento ao berço principal existente. Os valores estarão corrigidos pelo IPCA a partir da aceitação da proposta, trazendo proteção inflacionária à operação.
O acordo, formalizado por meio de uma carta de intenções, concede exclusividade ao comprador para negociar os contratos definitivos. A finalização da venda depende da assinatura dos documentos e do cumprimento das condições habituais para esse tipo de transação.
Impacto da venda e reação do mercado
No mesmo dia do anúncio, as ações da Cosan (CSAN3) registraram queda de 3%, sendo cotadas a R$ 3,22 às 13h, conforme registrado pela B3. Analistas do Citi avaliaram que a venda reforça a estratégia da companhia de desinvestir em ativos não essenciais com o objetivo de reduzir o endividamento. No entanto, ressaltam que o valor negociado é modesto diante da atual alavancagem financeira da Cosan, limitando um grande impacto estrutural.
"O impacto da operação sobre a alavancagem da companhia é limitado dada a magnitude relativamente reduzida da transação, e o preço ofertado ficou abaixo das expectativas", apontam Gabriel Barra e Pedro Gama, analistas do Citi. Eles destacam ainda que, em 2021, a Cosan investiu cerca de R$ 720 milhões no Porto São Luís, suscitando dúvidas sobre geração de valor para os acionistas.
Contexto: ajustes financeiros e outras operações
A alienação do terminal integra um movimento mais amplo da Cosan para ajustar seu balanço e fazer frente ao aumento da dívida. No primeiro trimestre de 2026, a dívida líquida da empresa atingiu R$ 11,5 bilhões, alta de 18% em relação ao trimestre anterior, influenciada pela ausência de dividendos e pagamentos de juros elevados.
Além do Porto São Luís, a companhia realizou recentemente o IPO da Compass, levantando aproximadamente R$ 2,2 bilhões. Ainda em junho, a Raízen – controlada pela Cosan e pela Shell e em processo de recuperação extrajudicial – vendeu operações na Argentina para a Mercuria Energy Group por US$ 1,42 bilhão. A Raízen também alienou a Usina Caarapó (MS) para a Adecoagro Vale do Ivinhema, negócio de R$ 760 milhões.
A Cosan estuda, ainda, a venda de sua participação na Rumo, operadora logística, para reforçar o caixa e desalavancar a estrutura financeira. O BTG Pactual foi contratado para assessorar a operação.
Próximos passos
A venda do Porto São Luís está condicionada à conclusão das tratativas contratuais e aprovação dos termos finais. O mercado segue atento a possíveis anúncios de desinvestimento adicionais e à divulgação do balanço trimestral da Cosan, aguardado ainda para hoje após o encerramento do pregão na B3.
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