O setor de data centers no Brasil segue em forte ritmo de expansão em 2026, com aumento projetado de 30% na capacidade instalada — superando a média anual de 20% registrada nos últimos cinco anos, segundo levantamento da consultoria JLL. Mesmo sem a aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que daria incentivos fiscais ao segmento, o cenário é de otimismo e realização de grandes projetos já em andamento.
Demanda crescente impulsiona investimentos
De acordo com Bruno Porto, gerente de Logística e Data Centers da JLL, a expansão acelerada é resposta à demanda local por infraestrutura digital. Empresas de diversos setores buscam ampliar o processamento de dados, motivadas pelo avanço da digitalização no país e pela adoção acelerada de Inteligência Artificial (IA). “Há um crescimento natural para suprir essa deficiência de infraestrutura digital”, explica Porto.
Além disso, multinacionais estão transferindo projetos para o Brasil, tanto pela busca de energia limpa quanto pela saturação do mercado nos Estados Unidos e Europa. Esse movimento reforça o Brasil como polo estratégico para data centers, beneficiando o ambiente de negócios nacional e trazendo aportes de tecnologia de ponta.
Capacidade instalada deverá dobrar até 2028
O estudo da JLL revela que a capacidade atualmente instalada dos data centers brasileiros é de 706 megawatts (MW), com mais 660 MW em construção. Quando todos os novos projetos forem concluídos, até o final de 2028, o país passará a contar com 1.366 MW. Um dos destaques é o megaempreendimento do TikTok com a Omnia, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE), que sozinho representará 200 MW — cerca de um terço de tudo que está em obras.
São Paulo mantém a liderança no setor, com implantação de data centers em cidades como Barueri, Santana de Parnaíba e Franco da Rocha, onde a multinacional Ada Infrastructure fará sua estreia com o primeiro projeto nacional.
Redata segue indefinido e trava parte dos projetos
Apesar do crescimento, o setor ainda aguarda definição sobre o Redata. Sem clareza sobre a implementação do programa de incentivos fiscais, operadoras optam por postergar alguns investimentos, aguardando possíveis benefícios que podem engordar ainda mais o volume de aportes. Analistas esclarecem que, caso o Redata já estivesse em vigor, a taxa de expansão poderia ser ao menos 50% maior, funcionando como verdadeiro catalisador de crescimento. "O setor está crescendo, mas os investimentos poderiam ser muito maiores com o Redata", reforça Porto.
Perspectiva para os próximos anos
Com a digitalização constante da economia brasileira e a demanda cada vez maior por armazenamento de dados e processamento de IA, a expectativa é de que o setor mantenha o ritmo acelerado de expansão, mesmo que incentivos fiscais ainda fiquem para o futuro próximo. Empresas e investidores devem observar atentamente o andamento da regulação, esperando que novas oportunidades e projetos sejam viabilizados nos próximos anos.
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