O Tesouro dos Estados Unidos registrou um déficit orçamentário inédito de US$ 432 bilhões no mês de julho de 2026, ultrapassando o valor do déficit acumulado em todo o ano fiscal anterior. O relatório, divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Departamento do Tesouro americano, revela um cenário preocupante para a maior economia do mundo e potencialmente relevante para o mercado brasileiro.

Números preocupantes do déficit fiscal

Nos dez primeiros meses do ano fiscal de 2026, os Estados Unidos já tomaram emprestado US$ 1,8 trilhão, montante superior aos US$ 1,775 trilhão de déficit registrado em todo o ano fiscal de 2025. O levantamento mostra que, em julho de 2026, as receitas do Tesouro somaram US$ 334 bilhões, enquanto as despesas atingiram US$ 766,3 bilhões. Esse desequilíbrio acentuou-se diante de um contexto inflacionário global e do aumento dos gastos governamentais, inclusive com benefícios sociais e pagamentos antecipados devido ao calendário fiscal.

No mesmo período do ano anterior, o déficit ficou em US$ 291,14 bilhões, com receitas um pouco maiores (US$ 338,49 bilhões) e despesas menores (US$ 629,64 bilhões). O relatório também aponta que julho costuma ser um mês deficitário para o governo americano, dado o calendário de vencimentos de impostos menos favorável.

Razões para o déficit recorde

O Departamento do Tesouro explicou que parte das despesas de julho foi impactada pela antecipação de pagamentos normalmente previstos para agosto, devido ao dia 1º cair num fim de semana. Entre os principais gastos estão pagamentos a militares ativos e aposentados, benefícios para veteranos, programas de assistência social e repasses ao Medicare. Até julho deste ano, o Tesouro arrecadou US$ 4,49 trilhões, mas as despesas somaram US$ 6,28 trilhões.

Impactos para o mercado brasileiro

O aumento do déficit americano tende a interferir nos mercados globais e, consequentemente, impactar o Brasil. Analistas observam que déficits elevados nos Estados Unidos estimulam a emissão de títulos do Tesouro local e podem pressionar as taxas de juros globais, influenciando investimentos estrangeiros, o câmbio e a política monetária brasileira. O fortalecimento do dólar ou a elevação dos juros nos EUA, por exemplo, afeta diretamente as decisões do Banco Central do Brasil (BCB) sobre a Selic e estimula revisões nas expectativas de fluxo cambial e de investimentos em ativos brasileiros.

Perspectivas e próximos passos

O ano fiscal americano vai de 1º de outubro a 30 de setembro, e já há expectativa no mercado de que o déficit continue elevado até o fechamento do exercício. O desempenho das contas públicas dos Estados Unidos será um dos principais temas de acompanhamento para investidores globais nos próximos meses, inclusive para os brasileiros que buscam entender as tendências do dólar e os efeitos sobre o mercado local.

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