Os parques e cruzeiros da Disney reportaram o maior avanço em receita dos últimos dois anos, apresentando crescimento de 10% no último trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior. A movimentação positiva acontece enquanto concorrentes internacionais relevantes, como Universal e Sea World, enfrentam desafios para atrair público e manter receitas.
Estratégias de descontos e maior valor agregado
Segundo analistas do setor, a Disney adotou uma abordagem diferenciada para impulsionar a visitação em um cenário econômico de maior seletividade dos consumidores. Uma das inovações mais notáveis foi o lançamento de promoções direcionadas para famílias com crianças pequenas, principalmente no verão dos Estados Unidos. O Disneyland Resort, na Califórnia, ofereceu ingressos infantis a partir de US$ 50, bem abaixo da média habitual de US$ 168 a US$ 279. Na Flórida, famílias garantiram planos de refeições infantis gratuitos mediante a compra de pacotes adultos.
Nos hotéis, assinantes do Disney+ conseguiram tarifas promocionais já a partir de US$ 99 por noite, enquanto o valor cheio no mesmo período girava entre US$ 174 e US$ 225 conforme dados do MouseSavers.com. Esse tipo de ação visou agregar valor e ampliar a acessibilidade sem prejudicar a qualidade da experiência, segundo Beci Mahnken, CEO da MEI-Travel.
Atrações renovadas e filas mais curtas
Enquanto mantém projetos de expansão para novas áreas e atrações, a Disney investiu em renovações de experiências consagradas, como o espetáculo "Bluey's Best Day Ever!" no Disneyland, que atraiu grande público. No Walt Disney World, na Flórida, clássicos como Buzz Lightyear's Space Ranger Spin e Big Thunder Mountain Railroad foram revitalizados, além da retematização da antiga Rock 'n' Roller Coaster pelos Muppets.
A percepção de parques "vazios" divulgada em redes sociais foi explicada, segundo porta-voz da Disney, por maior eficiência operacional e sistemas aprimorados de gestão de filas. A empresa também aproveitou melhor os espaços subutilizados, distribuindo visitantes e melhorando o fluxo interno sem aumentar o tempo de espera, o que elevou a satisfação registrada nas pesquisas internas.
Concorrência perde espaço no cenário global
Enquanto a Disney reportou alta de 91% de ocupação hoteleira doméstica e crescimento de público de 4% globalmente, rivais ficaram atrás. A Universal registrou alta de apenas 2,7% em receita, e a United Parks and Resorts (Sea World, Busch Gardens) viu queda de 2,9% na frequência e recuo de 1,4% na receita.
De acordo com Thomas Mazloum, presidente da Disney Experiences, a intenção de retorno dos visitantes segue elevada em quase todos os mercados operados. Especialistas destacam que a conexão cultural da Disney com famílias é um diferencial difícil de replicar na indústria internacional do turismo.
Tendências e próximos passos para o setor
O desempenho da Disney aponta para um realinhamento estratégico dos grandes parques temáticos, priorizando a oferta de valor agregado e eficiência na operação diante de um consumidor mais exigente. O setor acompanha de perto os resultados das próximas temporadas para confirmar se essa tendência se mantém e se outros players globais conseguirão reverter o cenário adverso.
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