O avanço do fenômeno climático El Niño acendeu um alerta vermelho entre as empresas de telecomunicações brasileiras. Conforme aponta Vivien Suruagy, presidente da Feninfra — federação que representa o setor —, a precarização dos postes de energia, agravada por emaranhados de fios e a presença de empresas irregulares, aumenta consideravelmente o risco de incidentes nas cidades brasileiras.
Ameaça crescente com El Niño e infraestrutura vulnerável
Segundo Suruagy, a chegada de eventos climáticos extremos, intensificados pelo El Niño, potencializa os perigos já existentes devido à desorganização dos fios de telecomunicações. Ela destaca que, entre os cerca de 50 milhões de postes no país, 17 milhões estão em "situação deplorável". Esse cenário não só coloca em risco a integridade física dos profissionais do setor, como também representa uma ameaça à segurança de dados e à continuidade dos serviços.
Falta de fiscalização e avanço das empresas irregulares
A presidente da Feninfra critica a postura das concessionárias de energia, que, segundo ela, não têm demonstrado preocupação efetiva diante da desordem nos postes. "Se dependesse somente das nossas redes, estaríamos relativamente tranquilos. O problema é o descaso com a desordem de fios", afirma. A ausência de fiscalização possibilitou que diversas empresas, muitas sem regularização, instalassem cabos de forma inadequada, agravando a precarização da infraestrutura.
Pressão tributária e desafios regulatórios
Outro desafio apontado é o ambiente tributário desigual que o setor enfrenta. Vivien Suruagy destaca que as grandes empresas de tecnologia (Big Techs) consomem volume expressivo de tráfego nas redes brasileiras — mais de 50% do tráfego de dados —, mas parte significativa de suas receitas é tributada fora do Brasil. A empresária defende mudanças regulatórias que equiparem as obrigações das big techs às regras já aplicadas às empresas de telecomunicações nacionais, além da necessidade de uma tributação mais justa.
Reforma tributária e perspectivas de custos
A aprovação da reforma tributária trouxe ao debate o impacto direto nos custos do setor. Estimativas da Feninfra sugerem que, com o novo IVA, os aumentos de preços para consumidores podem chegar a 10% em média, dependendo da composição interna de custos. A proposta de criar taxas para o aterramento de fios esbarra em dificuldades técnicas, especialmente em grandes cidades, onde a complexidade das redes subterrâneas dificulta a implementação.
Soluções e próximos movimentos
Para mitigar os riscos e modernizar a infraestrutura, Vivien Suruagy propõe uma reorganização conjunta entre Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), focando em critérios claros de cobrança pelo uso dos postes e eliminando empresas irregulares. O setor também cobra maior atenção do governo, do Legislativo e da sociedade para o papel indispensável da conectividade na vida cotidiana e no crescimento econômico nacional.
Com a alta demanda por rede, impulsionada por inteligência artificial e pela digitalização da economia, a necessidade de investimentos crescentes é inegável. O setor aguarda definições após as eleições para propor ajustes tributários e regulatórios que permitam maior competitividade e sustentabilidade.
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