Os efeitos do fenômeno climático El Niño elevaram o alerta sobre a precária situação dos postes e fios de telecomunicações no Brasil. Vivien Suruagy, presidente da Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (Feninfra), destacou em entrevista recente que a chegada do super El Niño pode intensificar os riscos associados ao emaranhado de cabos pendurados em postes de energia nas cidades brasileiras.
Situação dos postes e riscos agravados pelo clima
De acordo com Vivien, atualmente o país conta com aproximadamente 50 milhões de postes, sendo que 17 milhões já estão em situação considerada "deplorável". Esta precarização, além de elevar o perigo para trabalhadores do setor, acarreta também riscos de segurança cibernética e pode gerar impactos diretos em caso de tempestades intensas, cada vez mais frequentes devido ao El Niño e às mudanças climáticas. "Não estamos preparados para esse fenômeno do agravamento dos desastres naturais como o El Niño e outros que vão seguir nos próximos anos", afirmou.
Desordem dos fios e responsabilidade das distribuidoras
A dirigente ressalta que apesar de a Aneel definir que cabe às empresas de energia supervisionar o uso dos postes, muitos operadores irregulares continuam aumentando a desorganização dos fios, sem fiscalização adequada. Suruagy enfatiza que a expansão das redes e do tráfego de dados, impulsionada por big techs e inteligência artificial, não foi acompanhada de uma gestão eficiente das infraestruturas urbanas.
Além disso, os preços cobrados para a fixação de fios nos postes variam muito, de R$ 2 a R$ 38, tornando difícil o planejamento do setor. "Uma reorganização dos fios é urgente para garantir segurança operacional e definir quem arcará com os custos dessa adequação", explica.
Tributação, regulamentação e perspectivas para o setor
Outro ponto polêmico é a tributação das big techs e a desigualdade no tratamento regulatório. Suruagy defende que empresas estrangeiras que geram grande parte do tráfego na rede também sejam tributadas localmente, de acordo com o uso das infraestruturas nacionais. Ela criticou projetos que pretendem transferir a fiscalização para órgãos com pouca expertise digital e reforçou a importância de a Anatel assumir as obrigações regulatórias para o segmento.
A presidente da Feninfra também abordou os impactos da reforma tributária, destacando preocupação com o possível aumento do custo dos serviços, calculando uma elevação média de 10% no preço das telecomunicações. Outro tema em discussão é a desoneração da folha de pagamentos, cuja revisão pode impactar de forma diferente setores diversos da economia, especialmente o de serviços, que representa cerca de 70% do PIB.
Próximos passos e desafios para o setor
Com o El Niño intensificando eventos climáticos extremos, a Feninfra defende a necessidade de um esforço conjunto entre Anatel, Aneel e empresas para mapear e reorganizar a infraestrutura de telecom, priorizando novas instalações subterrâneas em áreas de expansão urbana. Para Vivien Suruagy, a atenção às redes de telecomunicações é imprescindível para o desenvolvimento econômico e social do país.
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