A aprovação da reforma tributária trouxe mudanças profundas para empresas em todo o Brasil. A rede varejista Minipreço, presente em dez cidades com 18 lojas, exemplifica os esforços do setor privado para atender às novas exigências fiscais. Desde agosto, algumas notas fiscais passaram a incluir o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributos que substituirão antigos impostos em uma transição gradual até 2033. O ano de 2026 será dedicado a testes, sem cobrança efetiva, segundo a Receita Federal.
Processos em adaptação e desafios operacionais
O processo de adequação, no entanto, é complexo. Além de mudar a face das notas fiscais, as empresas precisam revisar cadastros, reclassificar produtos e garantir que todas as regras tributárias estejam parametrizadas corretamente em seus sistemas. Como destacou Tiago da Silva, gerente contábil e fiscal da Minipreço, a nota fiscal representa apenas "a ponta do iceberg" nas adaptações exigidas pelo novo modelo tributário.
Segundo levantamento da Omie, metade das micro, pequenas e médias empresas brasileiras sequer iniciou o planejamento para se adaptar à reforma, evidenciando um potencial gargalo para a economia nacional. Especialistas alertam que o diagnóstico e a implementação dos ajustes costumam exigir de três a doze meses, dependendo da estrutura e da complexidade de cada operação.
Transição requer sincronização entre toda a cadeia
A partir de 2027, o PIS e a Cofins deixam de existir, dando lugar ao CBS e ao Imposto Seletivo, este último relevante para produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Para Priscila Souza, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET), a principal dificuldade é gerenciar um período de convivência entre regras antigas e novas, chamado de "dúplice sistema de tributação". Isso demanda uma integração fina entre empresas, fornecedores, sistemas de gestão (ERP), transportadoras e o próprio governo.
Apoio ao setor empresarial e papel do governo
Durante o período de testes em 2026, a Receita Federal, conforme o secretário especial Robinson Barreirinhas, não aplicará penalidades desde que as empresas demonstrem avanços consistentes na adaptação às novas regras. Companhias de maior porte, geralmente com equipes e sistemas robustos, apresentam ritmo mais acelerado de ajuste. Já as pequenas empresas, segundo Charles Gularte, da Contabilizei, têm recursos limitados e precisam de apoio para não ficarem para trás.
"O grande desafio não é só o Minipreço estar pronto, é toda a cadeia estar apta ao mesmo tempo; todos precisam falar a mesma língua", ressalta Silva. O alerta indica a necessidade de uma mobilização coletiva entre empresas, fornecedores e governo para garantir a modernização tributária, sem prejudicar a competitividade e o funcionamento dos negócios.
Próximos passos para as empresas
A expectativa é de que, até 2027, a maior parte das companhias esteja operacionalmente alinhada aos novos tributos. A preparação antecipada será essencial para evitar transtornos e penalidades na etapa seguinte da reforma tributária. Monitorar atualizações legislativas, capacitar equipes e investir em tecnologia são ações fundamentais para superar os desafios dessa transição.
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