O Brasil enfrenta um desafio importante: grande parte do fertilizante utilizado no agronegócio nacional é importada, tornando o país vulnerável às flutuações de preços e oferta no mercado internacional. Segundo Maísa Romanello, especialista em fertilizantes da Safras & Mercado, a aposta na produção interna desses insumos representa um passo essencial para garantir mais segurança e competitividade ao setor agrícola brasileiro.
Dependência externa pressiona custos do agronegócio
Atualmente, a logística para importação de fertilizantes é marcada por tempo prolongado e altos custos. De acordo com Romanello, o processo pode levar de dois a três meses até que o fertilizante chegue às mãos do produtor rural. Ao longo desse caminho, gastos com frete marítimo e rodoviário elevam o custo total do produto, impactando diretamente o bolso dos agricultores e, por consequência, o preço final dos alimentos.
Desafios para impulsionar a produção nacional
A especialista afirma que, apesar da necessidade, ampliar a fabricação nacional de fertilizantes não é tarefa simples. O setor enfrenta obstáculos como carga tributária elevada, dificuldades para obtenção de matéria-prima e questões legislativas que envolvem a exploração de recursos minerais – destaque para o potássio, cuja maior reserva encontra-se na região amazônica e depende de avanços regulatórios para ser explorada com viabilidade econômica e ambiental.
Segundo Romanello, "tem toda a questão de legislação que precisa avançar para que a gente consiga ser competitivos e ter um fornecimento mais viável aqui no mercado interno". Para ela, unir investimentos privados a um ambiente regulatório mais favorável é fundamental para estimular a cadeia produtiva nacional.
Tensões internacionais e impacto no campo
Os últimos anos foram marcados por conflitos geopolíticos que afetaram o fornecimento global de fertilizantes, provocando picos de preço e incertezas. Romanello ressalta que, nesses momentos, o agricultor brasileiro arca com a conta, já que a demora na importação e a disparada dos custos comprometem o acesso ao insumo, além de dificultar o planejamento da safra.
A especialista também alerta para outro ponto: o acesso restrito ao crédito, que amplia a pressão sobre o produtor, elevando o risco de desabastecimento ou aumento dos preços ao consumidor final.
Perspectivas para o setor e o consumidor final
A experiência recente reforça a urgência de políticas públicas para fomentar a fabricação nacional de fertilizantes. O desafio passa por melhorar incentivos fiscais, destravar legislações e garantir segurança jurídica para novos investimentos, bem como ampliar a participação nacional no mercado, protegendo o agronegócio de choques globais e beneficiando toda a cadeia alimentar.
O fortalecimento da indústria de fertilizantes no Brasil pode criar uma cadeia mais resiliente, estável e capaz de garantir preços mais acessíveis para agricultores e consumidores.
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