Mais de 9 milhões de empresas brasileiras registraram inadimplência em maio de 2026, acumulando R$ 229,9 bilhões em dívidas negativadas, de acordo com a Serasa Experian. Em um cenário marcado por crédito caro, forte pressão sobre o caixa e a proximidade de uma nova etapa da Reforma Tributária em 2027, empresários devem repensar suas estratégias para aumentar o faturamento e manter a saúde financeira.
Desafios empresariais e a importância da gestão interna
Diante das incertezas econômicas, buscar novos clientes ou expandir operações exige cautela. Segundo Ravell Nava, empresário e fundador da Brl Educação, muitos negócios têm potencial para crescer sem necessariamente expandir a base de clientes. Frequentemente, a trava do crescimento está no processo comercial, na precificação inadequada ou na baixa margem de contribuição.
Pesquisas internas devem mapear todo o trajeto da oportunidade até o fechamento: contatos realizados, propostas enviadas, taxas de conversão, ticket médio e recompra mostram por onde as receitas podem estar escapando.
Diagnóstico detalhado: onde está o gargalo?
A análise desses indicadores pode revelar gargalos menos visíveis. Empresas com alta demanda, por exemplo, podem perder oportunidades por falhas na conversão de propostas em vendas. Outras que vendem bem podem sofrer com margens insuficientes para sustentar crescimento.
O método aplicado por Ravell Nava sugere cruzar indicadores comerciais e de gestão antes de ampliar investimentos. O objetivo é identificar pontos de ineficiência e transformar pequenos ajustes em ganhos expressivos de faturamento.
Margem e resultado: faturamento não é tudo
Separar aumento de receita de geração de resultado é essencial. Crescer em vendas, sem atenção à margem, pode significar ampliar o faturamento sem que a empresa tenha de fato mais recursos. Por isso, monitorar custos, descontos, despesas comerciais e a rentabilidade de cada produto ou serviço passa a ser etapa obrigatória no planejamento para 2027.
Nava reforça: "Faturamento não resolve tudo. O empresário precisa saber quanto sobra de cada venda e quanto custa gerá-la para tomar decisões mais precisas e alcançar metas realistas".
Olhar para dentro da carteira de clientes
Uma alternativa eficiente para aumentar o faturamento está na própria base de clientes. Reforçar estratégias de recompra, elevar o ticket médio e oferecer novos produtos podem fortalecer o caixa sem depender apenas da conquista de novos públicos.
Impactos das mudanças tributárias
Com o início da cobrança efetiva da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do Imposto Seletivo em 2027 — enquanto PIS e Cofins serão extintos — as empresas precisarão adaptar seu fluxo de caixa. O novo regime tributário, com split payment (pagamento fracionado do imposto na liquidação financeira), exigirá ainda mais atenção ao acompanhamento dos tributos e à gestão das receitas e despesas.
O planejamento bem-feito garante preparação para 2027
Já no segundo semestre de 2026, empresas precisam revisar preços, margens, estrutura comercial, custos e planejamento tributário para garantir competitividade. Segundo Ravell Nava, o crescimento sustentável depende menos de esforços isolados em vendas, e mais da capacidade de transformar receitas em lucros reais.
"Quando conseguimos enxergar onde a empresa perde dinheiro e corrigimos o problema, o crescimento se torna mais sólido. O segredo é agir com antecedência e basear as decisões em números reais", finaliza Nava.
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