O economista e ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, que integrou a equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro, fez um alerta contundente sobre o futuro da economia caso Lula conquiste um quarto mandato presidencial. Em análise publicada nesta terça-feira (11), Sachsida considerou que tal cenário ampliaria o risco de uma crise fiscal profunda e dificuldades econômicas severas, sinalizando preocupações com a condução da política fiscal e a possível deterioração das contas públicas brasileiras.
Ex-ministro prevê desequilíbrio fiscal crescente
Segundo Adolfo Sachsida, uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia levar o Brasil a enfrentar um aumento expressivo da dívida pública, aliada a juros elevados e expectativas deterioradas no mercado financeiro. O ex-ministro afirmou que o governo atual tende a adotar medidas de aumento de gastos e intervenção na economia, sem articulação suficiente com o setor privado. Há também, segundo Sachsida, uma percepção de blindagem política do Executivo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que, em sua avaliação, fragilizaria o equilíbrio institucional e potencializaria os riscos econômicos.
Projeções negativas e estimativas de mercado
O crescimento da dívida pública durante o terceiro mandato de Lula reforça a preocupação do mercado. Dados do Banco Central do Brasil (BCB) indicam que a dívida bruta do governo geral subiu para 81,9% do PIB em junho deste ano, o maior percentual desde abril de 2021. Esse aumento foi 10,3 pontos percentuais em relação ao início de 2023. Levantamentos do Boletim Focus do BCB mostram que analistas de mercado projetam endividamento superior a 100% do PIB em 2034. Já estudos da Instituição Fiscal Independente (IFI) estimam que esse patamar pode ser atingido já em 2031.
Grandes bancos apontam desaceleração na atividade econômica para os próximos anos. A XP Investimentos, por exemplo, prevê crescimento real do PIB de apenas 1% em 2027, comprometido por restrições fiscais e contenção dos gastos extras. O BTG Pactual sugere um cenário menos pessimista, mas ainda assim projeta a dívida pública subindo para 86,4% do PIB até o fim de 2027.
Risco de inflação e desafios para famílias e empresas
O desafio fiscal pode impactar não só os indicadores macroeconômicos, mas também as condições de vida dos brasileiros. Caso o descontrole de gastos persista, o Banco Central pode ser forçado a manter a taxa Selic elevada por mais tempo, o que dificulta o acesso ao crédito para famílias e empresas e limita as oportunidades de crescimento sustentável. Analistas do Itaú e Bradesco reforçam a necessidade de esforços para conter os gastos públicos e gerar superávit primário de forma consistente.
Governo reconhece desafios, mas descarta descontrole
Apesar das apreensões do mercado e de economistas como Sachsida, o Ministério da Fazenda, sob o comando de Dario Durigan, tem descartado o diagnóstico de descontrole fiscal. Em recente entrevista, Durigan reconheceu a preocupação com a trajetória da dívida, mas afirmou que a equipe econômica trabalha em ajustes para estabilizar os indicadores fiscais nos próximos anos.
A discussão sobre o futuro fiscal do Brasil tende a aprofundar-se à medida que novas projeções e resultados oficiais são divulgados. Para acompanhar as evoluções do cenário econômico, continue de olho em brazileconomy.world.
