A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta sexta-feira a chegada de sete novos economistas à equipe responsável pela formulação das propostas de seu plano de governo. Entre os escolhidos, quatro atuaram diretamente no Ministério da Economia durante a gestão de Jair Bolsonaro sob comando de Paulo Guedes, fortalecendo a presença de quadros ligados à última equipe econômica federal na candidatura.

Novos nomes reforçam experiência em políticas públicas e mercado financeiro

Os selecionados são Alexandre Messa, Alexandre Ywata, Andrei Spacov, Arilton Teixeira, Eduardo Cavendish Carvalho, Myrian Prado e Vladimir Kühl Teles. Enquanto Messa, Ywata, Myrian e Teles têm histórico de atuação no governo anterior, os demais construíram carreiras no setor financeiro e meio acadêmico, reunindo expertises diversas para compor o programa. A equipe já contava com Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, ambos também ligados à gestão Paulo Guedes.

Propostas fiscais ganham peso técnico

Segundo Adolfo Sachsida, responsável pela coordenação do plano econômico, a missão do time é apresentar sugestões robustas para romper o atual cenário de "juros elevados, alto endividamento e comprometimento das contas públicas". Entre as linhas apresentadas pela campanha, destaca-se a intenção de substituir o atual arcabouço fiscal — criado no governo do PT — por regras focadas na estabilização e posterior redução da dívida pública, busca permanente por superávits primários e limitação ao crédito subsidiado pelo Tesouro.

A proposta inclui também corte de, ao menos, dez ministérios, redução de cargos comissionados e despesas administrativas, além de sugerir mais rigor no controle dos gastos discricionários dos três Poderes. Apesar dessas sinalizações, a campanha ainda não detalhou as metas ou metodologia para a aplicação das novas regras fiscais.

Expectativas e debates sobre estratégia econômica para 2026

A inclusão de técnicos com históricos distintos do setor público e privado confere maior pluralidade ao planejamento econômico de Flávio Bolsonaro. Nomes como Alexandre Messa, com passagem recente pelo Ministério do Desenvolvimento, e Vladimir Kühl Teles, especialista em política econômica e professor da FGV, prometem contribuir para uma abordagem mais técnica e pragmática.

Em declaração, Daniella Marques enfatizou que o papel do grupo é ir além das críticas à administração atual. "É mais do que simplesmente apontar os desafios e erros do governo. Devemos apresentar soluções concretas, realistas e que tenham impacto direto na vida das pessoas", afirmou.

O reforço da equipe ocorre poucos dias após outras adições, como a do economista Adriano Pires, para energia, e Carolina Ragazzi e Lyvia Montezano para temas de gênero e inclusão.

Próximos passos na formulação do programa

Com as recentes nomeações, o grupo segue avançando na definição das propostas econômicas, que serão amplamente debatidas e detalhadas ao longo de 2024. A expectativa é que o plano de governo traga bases sólidas para o debate eleitoral, principalmente diante do cenário fiscal desafiador e das demandas por crescimento sustentável e responsabilidade nas contas públicas.

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