O presidente do Banco Central do Brasil (BCB), Gabriel Galípolo, reiterou nesta semana a necessidade de manter a taxa Selic em patamares elevados enquanto o país não alcançar um melhor equilíbrio entre oferta e demanda. Durante a 27ª Conferência Anual do Banco Santander, realizada em São Paulo, Galípolo destacou que a atual conjuntura de crescimento econômico e avanço na renda da população sustenta uma demanda interna mais acelerada que a capacidade produtiva nacional.
Contexto: Oferta e demanda em descompasso
Segundo Gabriel Galípolo, o aumento do consumo interno, impulsionado pelo pleno emprego e pela elevação da renda média, provocou pressão inflacionária significativa. “A gente está num momento de pleno-emprego, com uma economia crescendo e a demanda acima da oferta. Isso exige que a política monetária atue de maneira restritiva”, afirmou o presidente do Banco Central.
Galípolo reforçou que o objetivo da autoridade monetária é evitar que o descompasso entre oferta e demanda leve a uma deterioração da estabilidade de preços no país. Ele explicou que essa lógica tem orientado o ciclo atual da política monetária, que permanece guiado por fatores endógenos à economia brasileira, e não fundamentalmente por pressões externas.
Ciclo de juros e decisões recentes do Copom
Atualmente, a taxa básica de juros Selic está em 14% ao ano, após quatro reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual cada uma, saindo do patamar de 15% ao ano, o mais alto desde 2006. Galípolo explicou que o ciclo de cortes foi adotado com cautela e condicionou novos movimentos à evolução dos indicadores econômicos, principalmente inflação e atividade.
O Comitê de Política Monetária (Copom) indicou, na ata da última reunião, que futuras alterações na Selic dependerão do desempenho da inflação e de outros indicadores-chave, destacando a necessidade de calibrar a política monetária à medida que o cenário econômico se desenvolve.
Cenário internacional: Lições da pandemia e novo papel dos Estados
O presidente do Banco Central ressaltou ainda que a política monetária global também passa por transformações. Ele lembrou que, após a pandemia da Covid-19, países como Estados Unidos, Alemanha e Japão aumentaram significativamente a demanda por liquidez, papel antes menos destacado por essas grandes economias. "Entramos em um período onde até Estados historicamente menos ativos na demanda por capital passam a disputar liquidez com o setor privado e com outros países", comentou.
Próximos passos da política monetária
Galípolo ponderou que, para que o Brasil continue crescendo de forma sustentável, será necessário monitorar a evolução da demanda e garantir que ela não supere excessivamente a capacidade da oferta nacional. O futuro do ciclo de juros seguirá vinculado ao cumprimento da meta de inflação, reforçando o compromisso do Banco Central com a estabilidade de preços.
A expectativa do mercado é de que a autoridade monetária aja com prudência nas próximas decisões, avaliando cuidadosamente o ritmo de crescimento econômico e possíveis pressões inflacionárias.
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