O governo brasileiro está articulando a ampliação da frequência de voos entre o Brasil e a China e buscando consolidar a presença de investidores chineses em grandes projetos portuários nacionais. Em visita a Pequim nesta terça-feira (25.ago.2026), o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, se reuniu com diretores de importantes órgãos e empresas chinesas para avançar nessas negociações.
Ampliação dos voos Brasil-China
Atualmente, a conexão aérea entre Brasil e China é limitada: são apenas 4 voos semanais, todos operados pela Air China. Segundo Tomé Franca, há disposição do governo em aumentar essa oferta, tema debatido com a Administração de Aviação Civil da China (Caac). O ministro, porém, não detalhou o futuro número de voos ou qualquer previsão de implementação das mudanças.
A intensificação das rotas aéreas é vista como estratégica tanto para o comércio quanto para o turismo, podendo impulsionar o fluxo de empresários, turistas e investidores entre os dois países.
Apresentação de projetos portuários a investidores asiáticos
Durante a agenda em Pequim, Tomé Franca também apresentou o portfólio de projetos hidroviários e portuários do governo brasileiro à COFCO, gigante estatal chinesa do setor de alimentos e commodities. A companhia demonstrou interesse particular pelo leilão do VDC29, um megaterminal para grãos localizado no Porto de Vila do Conde (PA). Esse terminal terá concessão por 25 anos, sendo o edital aguardado para breve após adiamentos recentes por parte da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
O ministro projeta que o leilão do VDC29 aconteça entre novembro e dezembro de 2026. A participação chinesa, caso confirmada, reforçaria a integração logística e comercial entre Brasil e China, especialmente no segmento agroexportador.
Outro foco de investidores está no terminal de contêineres Tecon 10 no Porto de Santos. O certame, esperado há anos, deve ter seu edital publicado até o fim do ano, com leilão previsto para 2027. A expectativa é de aproximadamente R$ 5,6 bilhões em investimentos até 2034. Recentemente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou a participação de grandes players globais, como MSC (Suíça) e Maersk (Dinamarca), ampliando a competitividade.
Próximos passos e financiamento internacional
Após as reuniões em Pequim, Tomé Franca seguirá para Xangai, onde intensificará contatos com empresas chinesas do setor de infraestrutura. Outra agenda importante será o encontro com a ex-presidente Dilma Rousseff, hoje à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB - BRICS), para discutir possíveis financiamentos a projetos de infraestrutura brasileiros.
Com o dinamismo das relações comerciais entre Brasil e China, essas iniciativas e os investimentos em infraestrutura podem fortalecer a logística nacional, agilizar exportações e atrair capital estrangeiro para grandes obras.
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