A economia brasileira registrou crescimento tímido no segundo trimestre de 2026, conforme apontou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (17), o IBC-Br — considerado uma prévia importante do Produto Interno Bruto (PIB) — avançou 0,2% de abril a junho, depois de uma expansão de 1,2% nos três primeiros meses do ano. O resultado indica uma desaceleração relevante do ritmo econômico no país.
Desaceleração após bom início de ano
No mês de junho, o IBC-Br apresentou queda de 0,6% em relação a maio (dado dessazonalizado), desempenho um pouco pior que a expectativa de mercado, que era de uma retração de 0,53% segundo levantamento da Reuters. O mês de junho foi o segundo do ano a registrar recuo da atividade, ao lado de março.
Analistas já estimavam ritmo mais lento na economia brasileira após o forte começo de 2026, influenciado principalmente por efeitos positivos da agropecuária. A retirada desses estímulos sazonais, aliada a fatores externos como crises geopolíticas e os efeitos do ciclo de juros altos, contribuem para a desaceleração.
Destaque por setores econômicos
Entre os setores, a agropecuária cresceu 1,0% em junho e encerrou o trimestre com alta de 0,3%. Por outro lado, a indústria registrou queda de 1,4% no mês, mas ainda conseguiu acumular alta de 0,5% no trimestre. O setor de serviços recuou 0,5% em junho e fechou o segundo trimestre com leve retração de 0,1%.
Segundo dados do IBGE destacados pelo Banco Central, a produção industrial caiu 1,8% em junho, enquanto as vendas no varejo subiram 0,5%, superando as expectativas do mercado. O volume de serviços ficou praticamente estável no período.
Impactos e expectativas para o PIB
Mesmo com o resultado mais fraco do IBC-Br, a comparação com junho de 2025 mostrou crescimento de 2,4%. No acumulado de 12 meses, o indicador apresenta alta de 1,5%. O IBGE divulgará o resultado oficial do PIB referente ao segundo trimestre no próximo dia 1º de setembro.
O mercado projeta, segundo o Boletim Focus do Banco Central, crescimento de 1,98% do PIB em 2026, com expectativa de desaceleração para 1,5% em 2027. Com o cenário externo desafiador e impactos da política monetária restritiva, é esperado que o Banco Central continue agindo para assegurar a convergência da inflação à meta, após a Selic ter sido reduzida para 14,00% ao ano na última reunião.
Próximos passos
Diante do atual cenário, investidores e agentes do mercado aguardam com atenção o anúncio do PIB oficial e possíveis novos movimentos da política monetária. O comportamento da atividade nos próximos meses dependerá da persistência das incertezas e do ritmo da retomada de consumo interno.
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