O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou queda de 0,6% em junho, um resultado que supera a expectativa dos analistas, que previam recuo de 0,5%. Este indicador, considerado uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), confirma um cenário de desaceleração econômica no país ao longo do segundo trimestre de 2026.
Segundo especialistas do mercado, esse arrefecimento está associado, principalmente, aos juros elevados e ao alto nível de endividamento das famílias. Ao comparar com junho do ano passado, contudo, observa-se um crescimento de 2,4%, mostrando que a economia ainda resiste, embora caminhe para uma moderação mais evidente nos próximos meses.
Contexto do desempenho econômico
O economista Antonio Ricciardi, do Daycoval, aponta que após um início de ano aquecido, impulsionado por políticas de estímulo, isenções fiscais e valorização do salário mínimo, a economia volta a desacelerar, retomando o ritmo visto no fim de 2025. "Devemos ver uma atividade econômica mais modesta neste segundo semestre, marcada pelo impacto prolongado da política monetária contracionista e pelas incertezas causadas por fatores internacionais, como a guerra no Irã", explica Ricciardi.
Impactos setoriais e projeções do PIB
A análise setorial indica que a retração em junho foi puxada pela indústria (-1,4%) e, em menor medida, pelos serviços (-0,5%), enquanto a agropecuária foi destaque positivo, avançando 1%. Excluindo a agropecuária, o IBC-Br teria registrado contração de 0,9%. Já no acumulado do segundo trimestre, o índice subiu apenas 0,2% frente aos três meses anteriores, após alta de cerca de 1,3% no primeiro trimestre.
As projeções para o PIB em 2026 divergem entre as casas de análise:
- XP Investimentos mantém expectativa de crescimento de 2% em 2026 e 1% em 2027
- Goldman Sachs prevê avanço de 1,3% neste ano
- PicPay projeta alta de 1,7%
- Inter estima expansão de 1,8%
Espaço para redução da Selic
O desaquecimento da atividade somado à inflação controlada reforça a opinião no mercado de que há margem para o Banco Central do Brasil (BCB) seguir reduzindo a taxa Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) pode levar a taxa básica para até 13,25% ao ano até o final de 2026, segundo o Inter, enquanto o PicPay projeta Selic em 13,50%. O último Boletim Focus, ainda antes deste dado, apontava estabilidade em 13,75%.
Perspectivas para os próximos meses
O resultado de junho cria uma herança estatística negativa para o terceiro trimestre e indica que a retomada da economia será mais lenta, exigindo cautela do mercado e das autoridades monetárias. O comportamento do IBC-Br continuará como referência importante para as decisões do Copom e para as expectativas de investidores e empresários.
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