Os fundos de investimento Advent e Bain Capital seguem empenhados em adquirir 100% da Amil, uma das maiores operadoras de saúde do Brasil, mas o valor do negócio tornou-se o principal obstáculo para o avanço das negociações. Apurações do jornal Valor Econômico revelam que o preço discutido atualmente está na casa dos R$ 17 bilhões, cifra considerada excessiva por parte dos compradores e, por isso, motivo central do impasse.

Histórico da negociação

Segundo fontes próximas à transação, os fundos têm buscado negociar diretamente com o empresário José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, que adquiriu a Amil há dois anos e meio, após a saída da norte-americana UnitedHealthGroup do Brasil. À época, a operadora foi avaliada em R$ 11 bilhões, dos quais, de acordo com o Valor Econômico, R$ 9 bilhões estavam ligados a contingências financeiras. Desde então, a Amil permanece sob controle de Júnior e tem tentado superar as dificuldades herdadas do antigo controlador internacional.

No início de 2025, a Bain procurou Júnior para discutir a compra, mas as negociações não avançaram. A partir de então, uma nova rodada de conversas foi conduzida em parceria com a Advent, mirando a compra integral da companhia. Apesar de Júnior ter demonstrado disposição para permanecer como sócio minoritário, os fundos mantêm a exigência de assumir a totalidade do controle, recusando qualquer composição societária.

Preço segue como barreira principal

A valorização da Amil para R$ 17 bilhões tornou-se motivo de divergência. Enquanto os fundos buscam uma avaliação considerada realista para o ativo e suas contingências, Júnior resiste em ceder o controle sem que haja reconhecimento do potencial da empresa. Interlocutores próximos ao processo afirmam que não há previsão para o fechamento do negócio, embora a expectativa de ambas as partes seja de que a transação possa ser concluída até o fim de 2026.

Impacto no mercado e próximos passos

Caso a venda se concretize, o setor de saúde suplementar no Brasil poderá ver uma reconfiguração relevante, dada a dimensão da Amil e o porte dos fundos interessados. O ajuste de preço e as condições da negociação devem determinar a velocidade com que se chegará a um acordo. Por ora, Advent e Bain permanecem firmes na intenção de não aceitar Júnior como minoritário, e as conversas continuam sendo conduzidas nos bastidores.

Analistas de mercado acompanham de perto os desdobramentos, atentos ao potencial de consolidação do setor e possíveis impactos para consumidores e para a estrutura de concorrência entre as operadoras de saúde no Brasil.

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