Em junho de 2026, o Brasil alcançou um novo recorde negativo no que diz respeito à inadimplência empresarial, com mais de 9,1 milhões de CNPJs (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) registrando dívidas atrasadas que totalizam a impressionante quantia de R$ 232,9 bilhões. Este número representa um crescimento de 16,67% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Serasa Experian.
Entre as empresas inadimplentes, cada CNPJ possui, em média, uma dívida de R$ 25.508,96, refletindo um cenário crítico no qual as empresas enfrentam dificuldades financeiras crescentes. O levantamento mostra que, em média, cada empresa acumula 7,3 contas em atraso, um indicativo claro da pressão que o ambiente econômico impõe sobre os negócios.
Cenário de Inadimplência
No total, as dívidas somaram 66,2 milhões somente em junho, quase 10 milhões a mais em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa situação é especialmente alarmante entre micro e pequenas empresas, que representam a maior parte da inadimplência: 8,6 milhões de CNPJs desse grupo estão negativados. Essas empresas concentraram 59,7 milhões de dívidas, totalizando R$ 201,4 bilhões, com uma média de 6,9 contas inadimplidas por micro e pequena empresa.
As regiões mais afetadas incluem São Paulo, com 3.126.658 empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais (907.558) e Rio de Janeiro (874.385). Outros estados, como Paraná e Rio Grande do Sul, também aparecem na lista das regiões com maior número de empresas em dívida.
Fatores Contribuintes
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a alta na taxa de juros, atualmente em 14%, está entre os principais fatores que dificultam a recuperação financeira das empresas. "A atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas, justo em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa", afirmou Camila.
Além da alta taxa de juros, a composição das dívidas revela que a maioria delas é destinada ao financiamento das próprias operações. Em um ambiente de crédito restritivo, isso torna o cenário de gestão financeira ainda mais complexo. Desde junho de 2025, o setor bancário e cartões de crédito continuam a representar uma parte significativa da dívida, ocupando 19,5% da composição total.
Setores Mais Afetados
O setor de Serviços é o que mais contribui para a inadimplência, com 31,6% das dívidas, seguido pelo Comércio (32,2%) e Indústria (8,0%). A necessidade de financiamento, embora essencial, torna-se um ônus em tempos de juros altos e incertezas econômicas.
Considerações Finais
A crescente taxa de inadimplência entre as empresas brasileiras é um sinal de alerta para a economia. Com a pressão das taxas de juros elevadas e uma desaceleração no crescimento econômico, a recuperação do setor empresarial pode ser longa e desafiadora. Fica evidente a urgência de medidas que possam aliviar as condições financeiras das empresas e reverter esse quadro preocupante.
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