Uma sequência crescente de incêndios tem mobilizado atenção em São Paulo, atingindo empresas de diferentes portes e setores. Embora seja difícil afirmar com precisão se o número dessas ocorrências aumentou ou se a cobertura jornalística ficou mais atenta, é notório que praticamente toda semana alguma reportagem destaca o risco e os danos causados pelo fogo nas operações empresariais.

Fogo: aliado do progresso e risco permanente

O fogo, elemento que impulsionou o desenvolvimento de civilizações desde a Antiguidade, segue como força ambígua: essencial para atividades produtivas, mas também perigoso e potencialmente devastador. Sua importância histórica, no cotidiano e em guerras, mostra que controlar as consequências do fogo é um desafio recorrente.

Incêndios podem ser provocados por acidentes, problemas elétricos, falhas de manutenção, fenômenos naturais ou, em alguns casos, conduta criminosa. Os grandes desastres contemporâneos — como o registrado em uma indústria química em Itaquaquecetuba em agosto deste ano — evidenciam que a preparação e a proteção, por meio de seguros eficazes, são fundamentais para empresas e comunidades.

Seguro obrigatório, mas nem sempre viável

No Brasil, o seguro de incêndio para pessoas jurídicas é previsto em lei, principalmente para empresas e condomínios. No entanto, a realidade prática desafia a teoria. Mesmo com legislação clara, casos de ausência de seguro são comuns por diferentes motivos: desinformação, descumprimento, ou ausência de ofertas no mercado para determinadas atividades consideradas de risco elevado.

Além disso, empresas que estão fora das exigências mínimas ou comunidades vulneráveis, como regiões carentes, podem simplesmente não conseguir proteger imóvel e patrimônio via seguro. Os danos nesses casos podem ser irreparáveis, não apenas para o indivíduo, mas com impacto social e econômico considerável para as regiões afetadas.

O impacto socioeconômico do subseguro

O subseguro ainda é uma realidade preocupante no país. Um único incêndio pode levar à perda total de bens empresariais, empobrecendo famílias, empregos e a economia local. A falta de proteção adequada aumenta a vulnerabilidade econômica e dificulta a retomada dos negócios após catástrofes.

Especialistas e entidades do setor de seguros têm apontado a necessidade de ampliar a inclusão securitária e discutir alternativas para tornar seguros empresariais mais acessíveis, mesmo para negócios de alto risco ou pequenas empresas. Experiências internacionais mostram que parcerias entre iniciativa privada e setor público podem ser alternativas para cobrir lacunas estruturais do mercado.

Próximos passos para reduzir danos futuros

Como incêndios infelizmente continuarão a fazer parte da vida empresarial, políticas públicas, fiscalização e campanhas de conscientização precisam ser fortalecidas. O aprimoramento das garantias, regulação e oferta de seguros mais flexíveis são passos fundamentais para maior segurança patrimonial, sustentabilidade dos negócios e preservação social.

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