A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou recuo expressivo de 0,21% em Curitiba no mês de julho de 2026, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado chama atenção ao contrastar com a alta de 0,07% registrada no Brasil no mesmo período, evidenciando o alívio maior sentido pelos consumidores curitibanos em relação ao restante do país.
Curitiba lidera queda no Sul e destaca impacto regional
Na comparação entre as capitais do Sul, Curitiba teve o menor avanço no índice. O recuo do IPCA só foi mais intenso em Salvador (-0,32%) e Belém (-0,46%) entre todas as capitais analisadas. No cenário nacional, julho foi o quarto mês consecutivo de desaceleração inflacionária, reforçando a tendência de alívio nos preços após uma sequência de altas mais fortes no primeiro semestre do ano.
Energia elétrica e mudança nos preços por grupo
Apesar do recuo geral da inflação, alguns itens continuaram pressionando o orçamento das famílias em Curitiba. Destaca-se a conta de energia elétrica, que subiu 19,55% devido ao reajuste tarifário vigente a partir de 24 de junho. Além disso, a bandeira tarifária amarela permaneceu ativa, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Com isso, o grupo habitação registrou aumento de 3,16% no mês. Outros grupos como despesas pessoais (0,46%) e saúde (0,21%) também subiram.
Em compensação, houve queda expressiva nos preços de vestuário (-1,86%) e, principalmente, no setor de transportes, com redução de 1,90%.
Cesta básica de alimentos apresenta principais reduções
Entre os alimentos, alguns produtos essenciais da cesta básica ficaram significativamente mais baratos em julho:
- Tomate: queda de 33,13%
- Batata: recuo de 19,37%
- Café em pó: redução de 3,40% em julho e acumulada de 21,90% nos últimos 12 meses
Segundo análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná, esses movimentos refletem a maior oferta e boa produtividade das safras na região. Por outro lado, a banana subiu 9,91%, e o feijão-preto teve alta de 7,42%, devido à oferta mais limitada do grão após perdas na segunda safra.
Comprometimento do salário mínimo com a cesta básica ainda é alto
Apesar da trégua em alguns alimentos, a cesta básica em Curitiba caiu 4,13% em julho, mas ainda registra alta de 9,49% no acumulado do ano, com preço médio de R$ 807,93. O reflexo disso é que quem recebe o salário mínimo precisa comprometer cerca de 53,88% do rendimento líquido para garantir a alimentação básica, segundo o Dieese.
Perspectivas e próximos meses
A expectativa é de que novas safras e ajustes em tarifas possam continuar influenciando os índices regionais de inflação. A próxima divulgação do IPCA, referente ao mês de agosto, trará dados importantes para avaliar a persistência dessa tendência de alívio nos preços.
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