A Kepler Weber, referência nacional em soluções para armazenagem de grãos, reportou queda expressiva de 46,3% na receita internacional durante o segundo trimestre de 2026, totalizando R$ 16,6 milhões no segmento de Negócios Internacionais. Mesmo diante do recuo, a companhia segue apostando na Argentina como principal mercado de expansão fora do Brasil.
Contexto: normalização após ano recorde
Segundo Bernardo Nogueira, CEO da empresa, a retração é vista como uma "normalização" após um 2025 considerado fora da curva — quando a empresa experimentou demanda externa acima do padrão, impulsionada especialmente pelo mercado de arroz e por preços internacionais favoráveis. "O negócio internacional está voltando para o patamar de 2023 e 2024. O ano de 2025 foi excepcional", ressaltou Nogueira.
O segmento foi o motor do crescimento da Kepler Weber em 2025, com avanço de 19,4% no acumulado anual e receita líquida de R$ 237,7 milhões, resultado inédito na última década. O principal destaque foi a Argentina, que saltou de vendas residuais em 2023 para R$ 50 milhões em 2025, tornando-se o segundo maior mercado externo da empresa.
Desaceleração, diversificação e aposta na Argentina
Apesar do freio em 2026, a Argentina permanece como foco estratégico. Para Nogueira, a demanda reprimida por infraestrutura de armazenagem no país vizinho tende a ser liberada à medida que reformas econômicas e retomada do crédito sejam consolidadas pelo governo de Javier Milei. "Com mais acesso a crédito, haverá necessidade de atualizar o parque de logística e armazenagem", afirmou.
No semestre, mesmo com a queda no trimestre mais recente, os mercados internacionais da Kepler Weber ainda acumulam alta de 7%, somando R$ 76,8 milhões em receita, com bons resultados também em Venezuela, Paraguai e Bolívia.
Mercado brasileiro e desempenho por segmento
O desaquecimento do agronegócio no Brasil também impactou os números do trimestre: receita líquida total da empresa caiu 3,9%, alcançando R$ 299,1 milhões. O EBITDA foi de R$ 25,9 milhões (margem de 8,7%) e o lucro líquido chegou a R$ 6,3 milhões.
Entre os segmentos, o de Fazendas retraiu 13,2% (R$ 83,1 milhões), pressionado por juros altos e crédito restrito aos produtores. Por outro lado, o segmento de Agroindústrias liderou, subindo 17,9% com faturamento de R$ 126,5 milhões, puxado por investimentos de cooperativas e indústrias.
Já a divisão de Reposição e Serviços cresceu 5%, atingindo R$ 65,6 milhões, reforçando a estratégia de receitas menos dependentes de grandes projetos novos. Hoje, Agroindústrias, Negócios Internacionais, Portos e Terminais e Reposição e Serviços respondem por 72% da receita líquida semestral, contra 66% no ano anterior.
Perspectivas: cautela para 2026 e além
Nogueira reforça que o cenário exige disciplina e cautela devido à menor rentabilidade no campo e ambiente de crédito desafiador. Mesmo assim, investimentos em armazenagem continuam estratégicos e considerados prioritários — com ticket médio de R$ 3 a 5 milhões por projeto.
A expectativa da empresa é que o cenário mais contido persista em 2026 e não há sinal de alívio relevante para 2027. A diversificação de mercados e negócios, no entanto, é vista como essencial para atravessar o atual ciclo de baixa no setor.
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