O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou a economia brasileira com avanços relevantes, como a aprovação da tão aguardada reforma tributária e a redução histórica do desemprego. Por outro lado, especialistas indicam que o governo deixa pendências importantes, sobretudo na área fiscal, que exigirão ações imediatas do próximo presidente a partir de 2027 para evitar desequilíbrios de longo prazo.

Avanços econômicos e desafios persistentes

A avaliação dos economistas aponta que o saldo de Lula 3 é positivo em vários aspectos, especialmente pelo aumento da renda média da população e a queda da taxa de desemprego para 5,4% no encerramento do último semestre, segundo os dados da PNAD Contínua/IBGE — a menor marca desde 2012 para o período. A reforma tributária é vista como um dos maiores legados, modernizando regras fiscais e simplificando impostos, mesmo que ainda dependa de etapas complementares para surtir pleno efeito.

No entanto, as conquistas convivem com limitações. Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, destaca que, apesar da melhora de alguns indicadores, não houve transformação estrutural das contas públicas. O crescimento do PIB ficou aquém do esperado, e a ausência de uma reforma administrativa robusta contribuiu para o agravamento dos gastos do governo.

Dívida pública e arcabouço fiscal preocupam economistas

Em junho de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 81,9% do PIB, segundo o Banco Central do Brasil (BCB), totalizando R$ 10,4 trilhões — o maior nível desde abril de 2021. Essa escalada preocupa analistas, que apontam o risco de a dívida alcançar 90% do PIB em dois anos, caso as tendências atuais persistam.

O novo arcabouço fiscal, elaborado para substituir o antigo teto de gastos, ainda gera dúvidas em relação à sua efetividade. Economistas afirmam que, embora o governo procure apresentar resultados positivos, faz isso recorrendo a artifícios contábeis, mantendo o resultado primário negativo. Segundo Juliana Inhasz, a falta de disposição em avançar numa reforma administrativa e revisar gastos públicos aumenta o risco fiscal da economia brasileira.

Taxa de juros elevada e seus efeitos no mercado

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu recentemente a taxa Selic para 14% ao ano, corte de 0,25 ponto percentual. Apesar da queda, os juros seguem em patamares elevados quando comparados a mercados semelhantes. André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital, explica que o cenário fiscal frágil pressiona as taxas de juros, dificultando novos cortes e prejudicando o investimento privado.

O dinamismo do mercado de trabalho, marcado pela "uberização" e informalização, torna a relação entre emprego, renda e consumo mais complexa. Mesmo com a queda do desemprego e aumento dos salários, o consumo das famílias não cresce no mesmo ritmo, impactado por fatores como endividamento e novas despesas recorrentes.

Próximos desafios e expectativas para o futuro

A herança deixada pelo governo Lula inclui reformas estruturais e avanços no combate ao desemprego, mas também dívidas em trajetória ascendente e desafios fiscais relevantes. O próximo presidente terá como prioridade equilibrar as contas públicas, atacando gastos e buscando reformas que melhorem o ambiente macroeconômico, sob pena de comprometer o crescimento e o poder de compra da população.

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