O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou a pressão sobre o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal pela agilidade na liberação de crédito para taxistas e motoristas de aplicativos. A cobrança veio após constatação de morosidade na execução do Move Brasil Táxi e Aplicativos, programa que destinou R$ 30 bilhões, mas liberou apenas R$ 3,55 bilhões — cerca de 12% do total — até 18 de maio de 2026.
Contexto e insatisfação do governo
Na quarta-feira (19), Lula se reuniu com os presidentes do BB, Tarciana Medeiros, e da Caixa, Carlos Vieira, visando diminuir o atraso nas concessões. O encontro também contou com ministros e assessores do núcleo político. O governo federal lançou o programa para impulsionar a aquisição de veículos por trabalhadores do setor, subsidiando taxas de juros e oferecendo um fundo garantidor para reduzir riscos bancários.
Apesar do respaldo oficial e da expectativa de aumento de popularidade em ano eleitoral, a execução aquém da meta preocupa o Palácio do Planalto. Segundo fontes do setor, muitos motoristas habilitados não atendem aos critérios de comprovação de renda exigidos pelas instituições financeiras, ou possuem restrições cadastrais, como dívidas antigas ou processos judiciais.
Mudanças e desafios para acessar o crédito
Na mesma reunião, o governo anunciou o aumento do valor máximo do veículo financiado, de R$ 150 mil para R$ 200 mil. Também foi ampliada a variedade de modelos híbridos contemplados e ajustes foram feitos nos critérios de análise de renda: passaram a desconsiderar gastos com aluguel de carro e a considerar a prevista redução de despesas com combustível em aquisições de elétricos.
Mesmo assim, bancos relatam dificuldades operacionais. Alguns interessados ainda aguardam nota fiscal da montadora, decidem pelo modelo ideal ou simplesmente desistem após serem habilitados, enquanto outros enfrentam negativas por restrições ou baixa comprovação de renda. O ticket médio do programa segue em R$ 103 mil, e a demanda por carros acima de R$ 150 mil ainda é considerada baixa.
Reclamações e expectativa ajustada
Trabalhadores de plataformas como Uber e 99 relatam negativas repetidas e piora na pontuação do Serasa após múltiplas consultas em diferentes bancos. Há queixas de que motivos de recusa não são claros ou sequer informados. Lula exigiu explicações detalhadas caso o crédito seja negado, buscando transparência e melhor atendimento.
O programa oferece taxas de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres — muito abaixo da média praticada no mercado, que chega a 28% ao ano. Entretanto, especialistas avaliam que a expectativa inicial de liberar todo o valor destinado talvez tenha sido excessiva frente à real capacidade operacional dos bancos e ao apetite dos motoristas por novos financiamentos, diante de custos extras fora do financiamento, como seguro.
Próximos passos
O governo monitora de perto o andamento do Move Brasil Táxi e Aplicativos e não descarta novos ajustes para melhorar a execução da linha. Ainda existe pelo menos R$ 1 bilhão em operações aprovadas, aguardando liberação. O prazo para contratação termina em 15 de setembro, data em que expira a Medida Provisória que instituiu o programa.
Acompanhe as atualizações e as últimas notícias de políticas de crédito no Brasil em brazileconomy.world.
