O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta semana que busca marcar uma conversa, por telefone, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo, segundo Lula, deve tratar principalmente da defesa da soberania do Brasil diante de possíveis interferências externas, com destaque para as eleições brasileiras de outubro.
Durante entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, Lula declarou com firmeza: "Não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo nas eleições. Se se meter, vão perder. Quem vier dar palpite nas eleições vai perder". O presidente salientou estar tranquilo e preparado para eventuais tentativas de influência no processo eleitoral nacional.
Agrément ao embaixador dos EUA fica para depois das eleições
O governo brasileiro também decidiu que só concederá o "agrément" — anuência diplomática — ao novo embaixador dos EUA, Daniel Perez, após a conclusão das eleições de outubro. Segundo Lula, essa postura visa garantir que possíveis pressões americanas não interfiram diretamente no pleito.
O presidente questionou a urgência dos EUA em enviar um novo embaixador faltando pouco tempo para as eleições, ao lembrar que "ficaram um ano e seis meses sem embaixador. E querem mandar agora, faltando 45 dias para as eleições?", criticou.
Reciprocidade econômica e tarifas sobre exportações
Lula revelou que o Brasil iniciou procedimento para eventual adoção da chamada Lei da Reciprocidade Econômica em relação aos EUA. O gatilho foi o anúncio, pelo governo Trump, da imposição de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Para o presidente, o objetivo é mostrar que o Brasil não aceitará tratamento desigual e buscará defender os interesses nacionais.
Críticas a interferências e destaque à democracia
Ao comentar sobre possíveis críticas ao Brasil feitas por aliados de adversários políticos nos EUA, Lula indicou que não teme exposição internacional e mantém compromisso com a autonomia nacional. Além disso, reforçou que o país construiu, ao longo de 201 anos, uma relação diplomática relevante com os Estados Unidos, defendendo diálogo democrático e pacífico.
Governo promete rigor sobre apostas online
No mesmo encontro, Lula afirmou ser contrário à manutenção do modelo atual das apostas online, conhecidas como "bets". O presidente disse que, caso dependesse da sua vontade pessoal, as plataformas seriam proibidas, pois provocam prejuízo à sociedade e têm potencial de desestruturar famílias.
Ele reconheceu a existência de uma "bancada das bets" no Congresso, admitindo a dificuldade para avançar qualquer proposta de regulação ou proibição. No entanto, garantiu que o tema será tratado com seriedade, citando estudos dos ministérios da Fazenda e da Justiça sobre o impacto social e econômico das apostas.
Próximos passos
A expectativa é que a definição sobre o novo embaixador dos EUA no Brasil seja tomada somente após o desfecho do processo eleitoral. Já a discussão sobre regulação das apostas online deverá se intensificar nos próximos meses, suscetível a debates entre governo, Congresso e sociedade civil.
Para mais notícias e análises sobre política e economia brasileiras, acompanhe brazileconomy.world
%3Astrip_icc()%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2F9%2FF%2FqUe4abSniqQ4uY4AFzEg%2Ffoto07pol-101-fiscal-a12.jpg&w=3840&q=75)