O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a divulgação dos resultados de emprego da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) na quinta-feira (13) para reforçar suas críticas a gastos em jogos e promover as ações do governo, em um momento que se aproxima do início da campanha eleitoral. Durante seu discurso, Lula fez questão de ressaltar que o endividamento pessoal não é um problema, contanto que seja "saudável". "Eu não sou contra as pessoas que estão endividadas. Eu sou contra as pessoas que estão endividadas por uma dívida que não tem um objetivo de crescimento da melhoria da qualidade de vida", afirmou.

Lula também enfatizou a necessidade de educar as pessoas para que gastem apenas aquilo que podem pagar. "O que nós precisamos é educar as pessoas para gastar somente aquilo que é possível pagar e que está dentro da possibilidade. É a desgraça do jogo, porque você passa a vida inteira jogando para pagar o prejuízo do primeiro jogo que você fez", declarou ele, enquanto cumprimentava apoiadores após o evento no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Esta participação de Lula em um evento de divulgação de dados de um ministério foi uma exceção, já que sua agenda tem se concentrado em eventos mais fechados desde o início das restrições eleitorais. Além do presidente, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também participou da cerimônia e criticou a pejotização, pedindo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destrave a proposta que elimina a escala 6x1.

A Rais, que geralmente é divulgada anualmente, passou a ser publicada bimestralmente neste ano, incluindo dados do setor público. Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil registrou um saldo positivo de 10,1 milhões de empregos, sendo 5,35 milhões de vínculos celetistas e os restantes do setor público. O crescimento foi observado nos setores de serviços, comércio, indústria, construção e agropecuária, com os serviços apresentando a maior variação, de 42% em comparação com o ano anterior. Já a agropecuária cresceu apenas 5% no mesmo período.

Em termos regionais, o Norte e o Centro-Oeste se destacaram com variações de 34,7% e 28,6%, respectivamente. No entanto, apesar dos dados positivos no acumulado do terceiro mandato de Lula, as estatísticas mais recentes do Cadastro Geral de Empregados (Caged) indicam uma queda na contratação formal, com os piores resultados desde 2020.

De abril a junho de 2026, a variação de empregos foi de apenas 2,6%, contrastando com o estoque de 59,9 milhões de empregos formais em 2025, o que representa um aumento de 5% em relação ao ano anterior. A maior parte dos vínculos se deu por meio do regime celetista, que contabilizou 46,1 milhões, seguido pelos estatutários, com 12,6 milhões.

O setor público apresentou uma variação superior ao do mercado privado, destacando uma variação de 18,2% no setor municipal, a maior entre as diversas entidades jurídicas. Em resumo, enquanto a divulgação dos dados de emprego trouxe alento ao governo, as críticas de Lula e os desafios do mercado de trabalho permanecem relevantes.