A Lojas Marisa (AMAR3) reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 68,4 milhões no segundo trimestre de 2026, invertendo o resultado de lucro de R$ 2,1 milhões observados no mesmo período do ano anterior. Apesar do desempenho negativo no resultado final, a companhia apresentou avanços relevantes em indicadores operacionais.

Ebitda cresce e lojas maduras mostram resiliência

No recorte do Ebitda (antes do IFRS 16), o desempenho foi destaque: atingiu R$ 36,1 milhões, alta de 89,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. A margem bruta das lojas em operação há mais de 12 meses avançou para 51,3%, novo patamar recorde da companhia. A receita líquida consolidada, porém, teve leve recuo de 2,1%, totalizando R$ 386,2 milhões.

No conceito mesmas lojas, que considera apenas as unidades abertas há mais de um ano, a receita apresentou alta de 3,2%, chegando a R$ 379,4 milhões. Conforme a varejista, descontado o impacto negativo da Copa do Mundo, o avanço teria sido de 5,3%. O presidente da Marisa, Edson Garcia, explicou em entrevista que o evento esportivo reduziu significativamente o fluxo de clientes, inclusive com alguns shoppings fechando mais cedo em dias de jogos.

Eficiência operacional e mudanças estratégicas

Garcia ressaltou a evolução do planejamento de estoques e abastecimento, otimizando as margens e acelerando o giro de produtos. Aproximadamente 650 subcategorias passaram a ser planejadas individualmente, contemplando vendas, margens e giro historicamente verificados. A ampliação da base de fornecedores também trouxe ganhos de eficiência e negociações mais vantajosas.

As vendas de produtos de inverno subiram 7,2%; nas linhas íntima e feminina, o crescimento foi de 6,7% e 4,8%, respectivamente. O tíquete médio das mesmas lojas teve aumento de 1,4%. No digital, as vendas cresceram 13,1%, impulsionadas por novas parcerias e expansão do sortimento no marketplace. A integração entre loja física e digital subiu mais de 20%.

Endividamento pesa, mas estrutura melhora

Apesar do avanço operacional, o resultado financeiro negativo — R$ 106 milhões, alta de 57,2% no comparativo anual — pressionou o resultado final. A reestruturação do endividamento, incluindo liquidação antecipada de dívidas antigas e contratação de novas linhas de crédito, aumentou as despesas financeiras. A dívida líquida chegou a R$ 394,8 milhões ao fim de junho, crescimento de 42,4% frente a dezembro. O indicador de alavancagem subiu de 0,8 vez para 1,4 vez Ebitda.

Por outro lado, 62% da dívida total da Marisa passou a ser de longo prazo, ante 41% no fim de 2025, representando maior conforto de fluxo de caixa futuro. As despesas gerais e administrativas recuaram 10,9% no trimestre, reflexo de cortes estruturais. O CEO frisou que parte importante dessas reduções vem de renegociação de contratos e entrada de novos fornecedores.

Cartão próprio e perspectivas

O cartão Marisa encerrou o trimestre com 1,1 milhão de cartões ativos, respondendo por 26% das vendas. Clientes do cartão demonstram maior fidelidade e tíquete médio quase duas vezes maior do que os clientes dos demais meios de pagamento.

O investimento total no trimestre foi de R$ 3,1 milhões, queda de 36,5% em relação a um ano antes. No entanto, o investimento em tecnologia aumentou 23,9%, chegando a R$ 2,3 milhões.

Expectativas para os próximos trimestres

A gestão da Marisa acredita que, com a manutenção de ganhos operacionais e da geração de caixa, será possível reduzir gradualmente o endividamento e, consequentemente, o custo financeiro. O foco em integração de canais, fidelização e eficiência continua no radar para os próximos períodos.

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