O mercado financeiro brasileiro projeta que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a ser divulgado em julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentará nova desaceleração, puxada pelo recuo dos preços de alimentos e bebidas. Para agosto, as estimativas vão além: especialistas apontam forte possibilidade de deflação, fator inédito desde setembro de 2022.
Projeções para julho e agosto apontam alívio inflacionário
Segundo analistas consultados, a inflação oficial deve crescer apenas 0,07% em julho, valor bem menor do que o avanço de 0,32% registrado em junho. Caso se confirme, será a menor variação para o mês desde 2022, quando a taxa foi negativa. Esta desaceleração ocorre, principalmente, devido ao barateamento dos itens de alimentação e bebidas, que seguem em trajetória de ajuste.
Para agosto, a expectativa é ainda mais significativa: o mercado projeta deflação de 0,17% no IPCA, resultado influenciado pela concessão do bônus de Itaipu, um desconto de R$ 872,1 milhões aprovado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que será aplicado diretamente nas contas de luz de consumidores residenciais e rurais com baixo consumo.
Bônus de Itaipu pressiona IPCA para baixo
O abatimento das tarifas de energia elétrica é resultado do repasse do saldo positivo da hidrelétrica de Itaipu, equivalente a R$ 0,00747181 por kWh. A medida beneficiará clientes que consumiram até 350 kWh em ao menos um mês de 2023, e deve ser implementada por todas as concessionárias e permissionárias do SIN (Sistema Interligado Nacional).
O bônus é aplicado em um contexto de aumento da conta de luz devido à bandeira amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos por conta das condições hidrológicas adversas. O desconto temporário tende, portanto, a amenizar esse impacto, refletindo diretamente no comportamento do índice de inflação.
Expectativa de reversão em setembro
Apesar do fôlego momentâneo, o mercado financeiro prevê que a inflação volte a acelerar em setembro. Após o desconto, que proporciona a deflação de agosto, especialistas calculam avanço de 0,5% no IPCA com a recomposição do benefício. A tendência é que a dinâmica do índice retome o ritmo observado anteriormente, alinhando a inflação a patamares historicamente mais elevados.
Perspectivas para o fechamento de 2023
O levantamento mais recente do Boletim Focus, do Banco Central do Brasil (BCB), aponta que a mediana das projeções do mercado para o IPCA acumulado em 2023 é de 5,02%, menor nível desde maio. Embora as projeções apresentem recuos, ainda há perspectiva de o índice fechar o ano acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. Ou seja, o cenário de inflação segue desafiador para a política econômica e para o bolso do consumidor.
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