As ações da Minerva (BEEF3) enfrentaram uma forte queda de 7,6% nesta quinta-feira, 13 de setembro de 2026, após a divulgação do balanço do segundo trimestre (2T26), que trouxe à tona preocupações significativas sobre a demanda e a geração de caixa da companhia. Por volta das 13h17 (horário de Brasília), os papéis estavam sendo cotados a R$ 3,04.
Embora o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) tenha se mantido em linha com as expectativas do mercado, analistas do Goldman Sachs apontaram a conversão ainda fraca do Ebitda em caixa, além de riscos associados ao término das cotas de exportação de carne bovina para a China, o que pode afetar a percepção dos investidores no curto prazo.
O Bank of America (BofA) também enfatizou a preocupação com a geração de caixa da empresa. No 2T26, a Minerva registrou uma queima de R$ 611 milhões em fluxo de caixa livre (FCF), resultante do consumo de R$ 1,1 bilhão em capital de giro. As contas a receber aumentaram para 42 dias de receita, enquanto os adiantamentos de clientes caíram para 37 dias do custo dos produtos vendidos.
Para o BofA, parte dessa saída de caixa pode ser revertida no segundo semestre, mas isso aumenta o risco de a Minerva ultrapassar sua projeção de consumo de capital de giro, que está entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões em 2026. Além das incertezas sobre a demanda e as exportações para a China, a pressão sobre o capital de giro e a fraca conversão de Ebitda em caixa estão gerando cautela entre os analistas em relação às ações da companhia.
Por outro lado, o JPMorgan destacou a melhora nas despesas gerais e administrativas (SG&A), que passaram a representar 10,1% das vendas, uma redução em relação aos 10,8% do primeiro trimestre. O Bradesco BBI também avaliou que os resultados operacionais da Minerva no 2T26 foram razoáveis, com o Ebitda totalizando R$ 1,23 bilhão e a receita líquida alcançando R$ 14,1 bilhões.
O principal ponto negativo, no entanto, continua sendo a queima significativa de caixa, impulsionada pelo consumo elevado em capital de giro, que elevou a dívida líquida da empresa para R$ 14,4 bilhões, resultando em uma alavancagem de 2,9 vezes. Essa situação foi pressionada pelas maiores exportações para a China, que possuem prazos de recebimento mais longos, complicando ainda mais o cenário para a Minerva.
Diante desse panorama, os investidores devem acompanhar de perto os próximos passos da empresa, especialmente em relação ao desempenho no segundo semestre e a evolução das condições de mercado. As preocupações sobre a demanda, a capacidade de geração de caixa e o impacto das operações na China permanecerão em foco.
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