O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se pronunciou nesta sexta-feira (21) sobre o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, afirmando que essa situação não deve ser interpretada como um sinal de crise generalizada na economia brasileira. Em entrevista à Globo News, Durigan destacou que há uma série de indicadores que mostram a pujança em diversos setores da economia nacional, apesar das dificuldades enfrentadas por algumas empresas específicas.
"Nós não estamos falando de crise, o que é bem importante colocar. Tem uma série de dados da economia brasileira que mostram pujança em vários setores", declarou o ministro. Ele enfatizou que, embora existam fatores que expliquem os desafios enfrentados pela Casas Bahia e por segmentos mais sensíveis ao crédito, isso não justifica uma narrativa alarmista sobre uma crise econômica.
Durigan mencionou que o nível elevado da taxa de juros tem um impacto significativo sobre o varejo, um setor que depende fortemente de crédito, tanto na relação com fornecedores quanto nas vendas aos consumidores. "Quando você tem um cenário de juros apertado, é claro que você tem uma diminuição da atividade que é muito dependente de crédito", afirmou, ressaltando que essa situação é uma consequência direta da política monetária contracionista.
O ministro também abordou a importância de diferenciar os problemas que afetam empresas específicas do panorama geral da atividade econômica. Ele argumentou que dados recentes sobre vendas do varejo, faturamento de shoppings e geração de empregos não sustentam a ideia de uma crise disseminada. Por exemplo, segundo Durigan, as vendas no varejo cresceram 2% entre junho e julho, um sinal positivo para o setor.
Durigan observou que as mudanças nos hábitos de consumo, especialmente com o avanço do comércio eletrônico, têm condicionado a composição do setor varejista. Ele observou que essa tendência, que se intensificou durante a pandemia, ajuda a explicar as dificuldades enfrentadas por modelos de negócios mais tradicionais.
Em uma análise mais ampla, o ministro destacou que não houve um crescimento generalizado das falências e recuperações judiciais no Brasil. Na verdade, segundo ele, houve uma redução desses processos, sendo o varejo menos afetado em comparação a setores como a indústria.
Por fim, Durigan reafirmou que, apesar das dificuldades pontuais, a economia brasileira apresenta sinais de resiliência e crescimento em vários segmentos. Ele concluiu que a percepção do governo é de que a economia está se recuperando, e não enfrentando uma crise.
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