O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a destacar nesta segunda-feira (17) que a alta dos juros segue sendo um dos principais entraves para o desenvolvimento da economia brasileira. Durante um evento realizado em São Paulo, Durigan fez duras críticas ao atual patamar da taxa de juros, afirmando que ela prejudica tanto o setor público quanto a sociedade em geral.

Juros altos e impacto na economia

Segundo Durigan, a elevação do custo do crédito é hoje o maior desafio para o crescimento econômico do país. Ele ressaltou que os elevados juros afetam diretamente o orçamento federal e dificultam tanto investimentos quanto o consumo. Em sua fala, o ministro frisou que o problema dos juros altos se reflete não só para o Tesouro Nacional, mas para todo cidadão brasileiro.

Política fiscal como caminho para melhoria

O ministro aproveitou o encontro para reforçar a defesa da política fiscal do governo. Durigan argumentou que avançar no ajuste das contas públicas é fundamental para criar condições que permitam a redução sustentável dos juros e, consequentemente, do risco-país. "Assim como tivemos determinação para conter a inflação no passado, agora precisamos de igual intolerância para manter rigor fiscal", avaliou.

Para reforçar o compromisso do Executivo, Durigan citou que as Leis de Diretrizes Orçamentárias apresentadas desde 2023 mostram que o governo tem um planejamento firme para buscar o superávit fiscal. Ele lembrou ainda que no atual governo foi promovido um ajuste equivalente a cerca de dois pontos percentuais do PIB, destacando que esse esforço terá que continuar nos próximos anos.

Continuidade do ajuste e novos desafios

O ministro destacou que demonstrar responsabilidade fiscal de forma contínua pode permitir ao Brasil avançar para uma etapa de redução do custo do dinheiro e do risco exigido pelos investidores. "O governo praticamente zerou o déficit público", afirmou Durigan, embora tenha reconhecido que medidas como a retirada de recursos das metas fiscais contribuíram para esse resultado.

Outra preocupação destacada pelo ministro refere-se ao controle sobre o crescimento das despesas obrigatórias, que pressionam o orçamento do governo federal. Ele mencionou a inclusão de novas regras na legislação para limitar esse avanço, com impacto estimado de R$ 10 bilhões em 2027 e potencial para gerar economias crescentes nos anos seguintes.

Perspectivas e próximos passos

Apesar de admitir que ainda restam desafios para o equilíbrio das contas, Durigan defendeu a continuidade das políticas fiscais para que o país avance rumo à redução estrutural dos juros. Analistas do mercado avaliam que a sinalização do governo é positiva, mas ainda há incertezas quanto à execução plena das medidas anunciadas e ao controle das despesas obrigatórias para os próximos anos.

O tema segue no centro do debate econômico e será acompanhado de perto por investidores e agentes de mercado nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e na tramitação do orçamento federal no Congresso.

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