O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a redução dos juros do cartão de crédito e o debate sobre o modelo de jornada 6x1 ganharão centralidade na agenda econômica do Brasil nos próximos anos. Em entrevista ao Jornal da Bahia nesta quinta-feira (20), Durigan disse que a população paga taxas “absurdas e abusivas” no crédito rotativo e destacou que a revisão dessas condições será prioridade.
Juros do cartão e crediário no centro do debate
Segundo dados do Banco Central do Brasil (BCB), o crédito rotativo do cartão permanece o mais caro do país, com taxa média de 442,4% ao ano. Mesmo o parcelamento da fatura, uma alternativa para muitos consumidores, carrega juros de 191,4% anuais. Já o crediário tradicional exibe juros médios de 41,8% ao ano, embora haja diferença relevante quando este é emitido por lojas (teto de 12% ao ano) ou por financeiras/maquininhas, onde não existe limite regulamentar.
Durigan defende a necessidade de discutir esses mecanismos que contribuem para o alto endividamento da população. O ministro lembrou que o programa Desenrola, em nova edição desde maio, permitiu renegociar R$ 25,5 bilhões em dívidas até agosto, superando a expectativa inicial de R$ 20 bilhões. O programa inclui débitos de cartão, cheque especial e crédito pessoal, com descontos expressivos e, em alguns casos, uso de 20% do FGTS para quitação.
Revisão da jornada 6x1 e condições de trabalho
Além do crédito, Durigan afirmou que a discussão sobre a escala 6x1 precisa avançar, abordando não apenas as horas trabalhadas, mas também o tempo gasto no deslocamento. O governo defende a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição de salário, proposta que já foi encaminhada ao Congresso em abril. O debate se intensifica em meio à campanha eleitoral e à busca por novas regras para o mercado de trabalho.
Debate fiscal e críticas ao governo anterior
O ministro também aproveitou para rebater críticas em relação à situação fiscal atual, afirmando que o déficit estrutural do país está "próximo de zero" e negando crise fiscal. Ele ressaltou avanços na redução da pobreza e geração de mais de 10 milhões de postos de trabalho, ao mesmo tempo em que responsabilizou o governo anterior por medidas que, segundo ele, prejudicaram o equilíbrio das contas públicas.
Durigan citou ainda que nenhum projeto do atual governo foi executado sem base na responsabilidade fiscal. Mencionou avaliações positivas das agências de classificação de risco e disse que a agenda de responsabilidade fiscal continuará central em um eventual segundo mandato de Lula.
Outras pautas: apostas, regulação e juros globais
O ministro destacou ainda as tentativas de regular o setor de apostas esportivas — as bets —, propondo tratamento semelhante ao de cigarros devido ao impacto social. Ele criticou a regulação durante o governo anterior e afirmou que são necessárias medidas mais restritivas ao setor.
Durigan também atribuiu a persistência dos juros elevados a fatores externos, como conflitos internacionais, e relacionou decisões do Banco Central não apenas à situação fiscal interna, mas também à influência de guerras no mercado global, o que afeta diretamente o patamar da Selic, atualmente em 14% ao ano.
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